Por Isabel Dourado
Começou na manhã desta segunda-feira (13) o julgamento da maior chacina do Distrito Federal, no Fórum de Planaltina. Os réus são: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Os cinco réus chegaram ao Fórum escoltados por agentes da Polícia Penal do DF. A segurança no local foi reforçada. O julgamento que deve ter duração de 1 semana começou com a oitiva das testemunhas de acusação e, em seguida, da defesa.
Ao todo, 23 testemunhas devem ser ouvidas ao longo dos dois primeiros dias de julgamento. A promotoria previa que pelo menos 12 depoimentos fossem colhidos nesta segunda-feira (13), enquanto os outros 11 devem ser realizados hoje (14).
De acordo com o Ministério Público, somadas as penas podem variar entre 211 a 385 anos de prisão, conforme o Código de Processo Penal, caso os réus sejam condenados. A denúncia inclui homicídio qualificado, extorsão, roubo, sequestro, fraude processual, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver.
A investigação do MP evidenciou que os crimes foram praticados pelo grupo ocorreram entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Segundo informações da Polícia Civil do DF, a chácara de 5,2 hectares, estava avaliada em R$2 milhões e mesmo antes da chacina, o terreno já era alvo de uma disputa na Justiça. Também era parte do plano dos réus subtrair valores em dinheiro da família da vítima. Para isso, o combinado inicial era matar Marcos e sequestrar pessoas da família dele.
As vítimas da chacina são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos; Renata Juliene Belchior, 52; Gabriela Belchior de Oliveira, 25; Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, 30; Elizamar da Silva, 39; Gabriel Silva, de 7 anos; Rafael e Rafaela Silva, 6 anos; Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55; e Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos.
O promotor do Ministério Público do DF, Nathan Neto, responsável pelo caso, explica que o processo é complexo pois envolve um grande número de vítimas e o envolvimento de muitos réus. “A primeira dificuldade num caso tão grande como esse é tratar de maneira correta, com empatia, dando importância a cada vítima. É fazer jus à memória dessas vítimas, porque são 10, sem desvalorizar nenhuma delas. Em crimes com muitos atores, é muito improvável delimitar exatamente o que cada um fez ou planejou em todos os delitos.”
Crueldade
O caso chocou a população do Distrito Federal pela crueldade que foi empregada pelos réus contra as vítimas. Em depoimento no Tribunal do Júri, um investigador da Polícia Civil do DF, que conduziu o caso, disse que o réu Horácio Carlos Ferreira que participou dos assassinatos desde 2022 foi o responsável pelo esquartejamento da vítima Marcos Antônio Lopes. O julgamento deve ter duração de sete dias.