Ao longo de 2025, foram aplicados 2,9 milhões de imunizantes
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) chegou, em maio, à marca de um milhão de doses de vacinas aplicadas. De janeiro a abril, foram 985 mil aplicações, um aumento de 14,7% frente ao mesmo período do ano passado. Em 2025, foram aplicadas 2,9 milhões de doses, cerca de 100 mil a mais que em 2024, quando foram registradas 2,8 milhões de doses.
De acordo com a Secretaria de Saúde, parte significativa do total dos imunizantes aplicados é referente à campanha de vacinação contra o vírus influenza. Segundo a pasta, até o dia 21, já haviam sido aplicadas 423.845 doses. A campanha segue voltada para grupos prioritários, tendo sido vacinadas 26,1% das crianças de seis meses a cinco anos, 44,4% das gestantes e 42,61% dos idosos. Quem já se vacinou contra a gripe em anos anteriores deve tomar novamente neste ano. Isso porque essa vacina é atualizada anualmente para proteger das principais cepas do vírus influenza em circulação.
Apesar de o DF ter alcançado a marca de um milhão de doses aplicadas, a vacinação contra a influenza ainda está abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Para o sanitarista e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB), Jonas Brant, esse cenário representa um desafio para o sistema de saúde.
“Quando as pessoas não recebem a vacina nessa época do ano, a chance delas se infectarem com o vírus da influenza e desenvolverem a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é maior e, em geral, nessa época do ano, há uma sobrecarga na rede hospitalar por esses casos. Por isso, é tão importante a vacinação para que, caso a pessoa se infecte, não desenvolva sintomas tão severos e haja uma sobrecarga do sistema hospitalar”, destacou ele.
Recuperação
Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), disse ao Correio da Manhã que “agora estamos vendo o retorno de um trabalho importante do Ministério da Saúde”.
Desde 2016, houveram quedas significativas nas coberturas vacinais no Brasil, que se intensificaram na pandemia. Sendo assim, a ampliação na distribuição de vacinas demonstra uma recuperação gradual aos números vistos há mais de dez anos, embora este ainda seja um objetivo distante.
Cunha apontou para a existência de uma hesitação vacinal: “Apesar de terem acesso às vacinas, as pessoas se recusam a se vacinar”. Segundo ele, isso se deve à falta de confiança nas vacinas e à complacência da população, que possui “uma falsa sensação de segurança”. “Quando não há notícias na mídia, as pessoas não acham que precisam se vacinar. Elas não têm noção do risco, e o risco continua aí”, ele explicou.