Pré-candidato foi recebido ontem em almoço na “Casa Correio da Manhã”
Arruda critica aluguéis milionários pagos hoje pelo GDF
“Estrutura em Taguatinga será ocupada já no primeiro dia”, afirmou
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), pré-candidato ao Governo do Distrito Federal, afirmou ontem em entrevista à coluna “Brasilianas” que, se eleito, instalará o governo no Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) já em 6 de janeiro de 2026, no primeiro dia de seu mandato.
A declaração foi feita durante almoço na “Casa Correio da Manhã”, em Brasília, oferecido pelo publisher Cláudio Magnavita e preparado pelo chef Ivan Fellix. Estiveram presentes este colunista William França, o diretor-geral do jornal, Sergio Nery, o diretor da Sucursal de Brasília, Rudolfo Lago, o colunista de política Tales Faria e a repórter Beatriz Matos.

Arruda não economizou críticas ao abandono do Centrad. “No primeiro dia do meu governo, eu começo a trabalhar no Centrad. E com todos os secretários. No segundo dia, quem não aparecer lá para trabalhar, terá o ponto cortado”, disse.
Para ele, a dispersão da máquina pública em prédios comerciais no Plano Piloto compromete a eficiência: “O governo é um arquipélago de ilhas administrativas que não se comunicam. O governo não tem eficiência e não tem sinergia.”
O pré-candidato também questionou os interesses que, segundo ele, impedem a ocupação do espaço: “É por causa das empresas para as quais o GDF paga aluguel, que não deixam ocupar aquele espaço? Ou porque as empresas de vigilância não deixam, já que na PPP, lá atrás, tudo fazia parte e estava tudo incluído?”
Arruda destacou ainda o impacto no trânsito: “Eu vou inverter o fluxo de 70 mil veículos por dia. Tiro 70 mil que vêm para o Plano Piloto e ponho 70 mil indo. Eu inverto o fluxo do metrô. Tem uma estação na porta do Centrad.”

Centrad: o “elefante branco” que volta ao centro da política brasiliense
O Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, voltou ao centro das discussões políticas com a pré-candidatura de José Roberto Arruda (PSD). O espaço, planejado em seu governo (2007–2010) para reunir secretarias e órgãos públicos em um único local, foi entregue em 2014, mas nunca recebeu servidores.
Com 182 mil metros quadrados, 16 edifícios e 3 mil vagas de estacionamento, o Centrad foi concebido para reduzir gastos com aluguéis e aproximar serviços da população das regiões mais populosas do DF, como Taguatinga, Ceilândia e Samambaia. A ideia era também promover um contrafluxo no trânsito, deslocando servidores do Plano Piloto para o centro demográfico da capital.

Arruda classificou o abandono como “um dos maiores absurdos que já vi”. Ele lembrou que o atual governo Ibaneis Rocha chegou a anunciar a ocupação, mas nunca concretizou: “O governo Master (como Arruda tem se referido ao Governo Ibaneis Rocha) passou o tempo todo dizendo que ia ocupar o Centrad, mas nunca ocupou e acabou dando o prédio em garantia para tapar buraco do rombo que ele fez no BRB. Pode um negócio desse?”
Para Arruda, a ocupação do Centrad é condição para reorganizar a máquina pública e corrigir algumas das várias distorções administrativas que ele apontou.
Mais imagens do encontro na “Casa Correio da Manhã”



