Primeiras intervenções devem custar R$ 1,8 milhão — Ajustes e divisórias antecedem a ocupação — Visita guiada à imprensa mostrou que a estrutura está preservada, mas acumulou poeira e desgaste após quase 12 anos fechada
“Brasilianas” acompanhou nesta terça (10), a convite, a visita organizada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) ao Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga – complexo que deve receber a primeira leva de órgãos públicos nos próximos 90 dias.
O prédio, que ficou onze anos e meio fechado sem qualquer uso, está estruturalmente preservado, mas carrega marcas evidentes do tempo parado: poeira acumulada, cheiro de espaço fechado e a sensação de que a construção aguardava apenas alguém para religar as luzes.
O secretário de Obras e Infraestrutura do DF, Valter Casimiro, resumiu o cenário ao afirmar que o local precisa de “um bom banho” — expressão que se encaixa com precisão no que se vê ao caminhar pelos quatro blocos do Complexo Administrativo que o GDF pretende ocupar nos próximos dias.
Segundo Casimiro, a reação da governadora Celina Leão (PP) ao visitar o Centrad pela primeira vez, há duas semanas, foi de espanto. “Como tudo isso aqui, pronto para uso, está vazio há tanto tempo?”. Foi diante desta constatação (e da necessidade de economia em aluguéis) que Celina decidiu pela mudança imediata.
(Vale lembrar que o então governador Ibaneis Rocha (MDB) durante seus sete anos e três meses de mandato ensaiou por várias vezes dar destino ao complexo de prédios ou ocupá-lo. Às vésperas de deixar o governo, decidiu repassar o conjunto de prédios para pagar parte do rombo deixado por ele no BRB – ação que agora não se faz mais necessária, por conta da autorização para empréstimo obtida por Celina.)
Faltam poucos detalhes para a ocupação
A infraestrutura essencial está de pé. Rede elétrica, hidráulica, iluminação, cabeamento de internet, sistema anti-incêndio e elevadores permanecem íntegros, dependendo apenas de religação e testes. O piso suspenso das salas permite montar estações de trabalho em qualquer ponto, bastando instalar as tomadas. As salas podem ser feitas facilmente com divisórias ou paredes de gesso acartonado.
Segundo o GDF, as primeiras intervenções devem custar cerca de R$ 1,8 milhão, valor destinado a limpeza pesada, pequenos reparos e ajustes iniciais para ativar os blocos previstos na primeira fase.
A visita ocorre no momento em que o governo prepara a transferência de cinco secretarias (Obras, Semob, DF Legal, Meio Ambiente e Desenvolvimenot Urbano) para o complexo, além da ocupação parcial de outros três órgãos ligados à Governadoria (Casa Civil, Casa Militar e Secretaria de Governo).
A expectativa é que a mudança reduza gastos com aluguel, hoje estimados em R$ 168 milhões por ano, e contribua para descentralizar serviços públicos, fortalecendo a região entre Taguatinga, Samambaia e Ceilândia.
O GDF calcula que apenas a primeira etapa deve gerar economia anual superior a R$ 18 milhões. A ativação do Centrad marca o início da utilização efetiva de um empreendimento que atravessou impasses judiciais e administrativos por mais de uma década.

Centrad exige reparos pontuais, ajustes de infraestrutura e divisão interna antes da chegada das equipes
Durante a visita, “Brasilianas” percorreu áreas internas e externas do Centrad para observar os pontos que ainda precisam de intervenção antes da chegada dos servidores. Em alguns trechos, calhas entupidas provocaram infiltrações que deixaram marcas no forro, e placas de gesso ruíram após anos de exposição ao sol e à chuva.
Mantas de impermeabilização vencidas precisam ser refeitas, e há paredes que aguardam pintura para recompor o acabamento. O jardim central está seco, com mato onde deveriam existir plantas ornamentais, retrato de um espaço que ficou parado no tempo e agora passa por recuperação.
No prédio destinado à Governadoria, amplos salões ainda serão divididos em salas com drywall, além da recomposição dos forros e da instalação de pontos adicionais de energia e cabeamento. Todas as portarias já contam com catracas de controle, e equipes técnicas avançam na preparação dos ambientes.
A Novacap conduz os ajustes internos, enquanto o SLU atua na limpeza externa, etapa necessária para devolver ao complexo a aparência de funcionamento. Estão sendo feitos dois novos acessos e será construído um novo retorno na alça lateral de acesso, para facilitar o retorno dos carros à Avenida Hélio Prates.
Trânsito deve ganhar melhorias
A ocupação integral do Centrad dependerá também de intervenções viárias mais complexas. A Secretaria de Obras trabalha nos projetos de dois novos viadutos que permitirão ampliar o fluxo de acesso ao Centro Administrativo e viabilizar a ativação total dos blocos.
O governo avalia ainda a concessão da área comercial interna (lanchonetes e restaurantes, por exemplo) e também de espaços integrados à estação do metrô (curiosamente denominada Estação Centro Metropolitano, não administrativo), medida que pode ajudar a custear a manutenção do espaço.
Falando em estação de metrô, a que serve ao Centrad também deverá passar por um “banho de loja”, se não quiser passar vergonha em quem a utilizará. Vários locais acumulam sujeira, as passarelas são escuras e faltam azulejos nas paredes. A falta de manutenção desta estação não é muito diferente da grande maioria das demais 26 outras em funcionamento – lamentavelmente.
O Centrad segue o modelo adotado por 22 estados brasileiros, que concentram parte de suas estruturas administrativas em centros integrados para aumentar eficiência e facilitar o atendimento à população.
Sobre eventuais reclamações de servidores e usuários que deixarão de trabalhar na área central de Brasília, o secretário de Obras foi taxativo: “Mais de 60% da população do DF está nesta área que fica no entorno do Centro Administrativo e que se desloca para o Plano Piloto. Agora vai inverter o fluxo. Vai atender à maioria”, completa. Ele mesmo, que mora no Lago Norte, terá agora de percorrer um trajeto maior até o trabalho.
Veja como está o Centro Administrativo:








