Divulgação ocorreu pela ‘Agência Brasília’, órgão oficial do GDF, antes mesmo da conclusão do EVTEA — Estudo de demanda ainda está em revisão e nem mesmo a companhia do Metrô recebeu o projeto
A governadora Celina Leão (PP) decidiu antecipar e divulgou publicamente o traçado inicial da Linha 2 do Metrô em um momento em que o projeto ainda está em fase de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
A divulgação, feita pela “Agência Brasília” no último domingo (com direito a logomarca com o Ipê Roxo, símbolo da gestão Celina no GDF), se baseou apenas em um estudo preliminar de demanda, elaborado para indicar cenários de ocupação e necessidade de transporte, mas que ainda não passou pela etapa de consolidação definitiva dentro do EVTEA.
“Brasilianas” apurou que Celina decidiu apresentar os traçados depois de receber, na semana passada em seu gabinete Renato Eli, diretor da empresa Volar, que foi contratada pelo Metrô-DF (em licitação) para fazer os estudos. Ela havia postado em seu Instagram a visita.
A coluna também apurou que a divulgação antecipada foi uma forma de Celina contrapor o discurso do ex-governador José Roberto Arruda, pré-candidato ao GDF pelo PSD. Arruda foi o responsável pela implementação do atual traçado do Metrô (42 km e 27 estações). Ele vem afirmando que há 15 anos não é feito nenhuma expansão da linha e tem prometido levar os trihos até o Gama.
Metrô ainda não conhece o estudo
O estudo de viabilidade é o instrumento que organiza todas as análises sobre mobilidade, crescimento urbano, alternativas de traçado, requisitos de engenharia, impactos ambientais e custos operacionais, servindo de base para a decisão sobre qual configuração será adotada.
A antecipação do traçado ocorre, portanto, antes da conclusão desse processo, que ainda precisa validar hipóteses, revisar projeções e fechar um cenário único a ser encaminhado para a modelagem econômico-financeira. O Metrô-DF informou à “Brasilianas” que ainda é desconhece oficialmente esse traçado divulgado.
Na prática, o EVTEA funciona como um filtro técnico: ele compara rotas possíveis, avalia a capacidade de atendimento, estima tempos de viagem, verifica interferências em áreas urbanas consolidadas e define parâmetros mínimos de desempenho para o sistema. Só depois dessa etapa é que o governo pode avançar para a estruturação da forma de contratação, seja por obra direta, seja por concessão ou parceria público-privada.
A apresentação antecipada do traçado coloca o projeto no centro da agenda política, mas ainda não representa uma decisão técnica definitiva. O Metrô-DF informa que o estudo em andamento segue as diretrizes do Plano de Desenvolvimento do Transporte Público Sobre Trilhos do Distrito Federal e que a versão final do EVTEA é que vai indicar o traçado a ser levado ao anteprojeto de engenharia, etapa que detalha soluções construtivas, dimensiona sistemas e prepara a documentação necessária para a licitação. Até lá, o traçado divulgado permanece como referência preliminar, sujeita a ajustes conforme o resultado das análises.

Projeto da Linha 2 detalha traçado, estações e atendimento a nove regiões do DF
O projeto preliminar da Linha 2 do metrô, divulgado pela “Agência Brasília” (acima) descreve um corredor de transporte que se estende pela área Sul do Distrito Federal, conectando regiões hoje dependentes principalmente do sistema rodoviário ao Plano Piloto.
A proposta indica a implantação de um eixo metroviário com estações distribuídas em pontos estratégicos de Santa Maria, Gama, Riacho Fundo II, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Cruzeiro, além de conexões no Plano Piloto. Na estação ParkShopping está previsto o cruzamento e a interligação da nova linha com a atual rede em funcionamento, que vai até Ceilândia e Samambaia.
A configuração apresentada por Celina prevê a integração direta com a Rodoviária do Plano Piloto e com a Esplanada dos Ministérios, por linha subterrânea, criando uma ligação estruturada entre bairros residenciais e áreas de concentração de serviços públicos e empregos.
Tal como acontece hoje na Asa Sul, o traçado inclui trechos subterrâneos sob o Eixo Monumental, onde a solução em túnel busca reduzir interferências na superfície e preserva o tombamento urbanístico de Brasília, e segmentos em estrutura aérea em áreas com maior disponibilidade de espaço, o que tende a diminuir custos de escavação e complexidade de obra.
Investimentos bilionários e por mais de uma década
Do ponto de vista técnico, o projeto trabalha com uma rede de estações pensada para distribuir a demanda ao longo do dia, com capacidade projetada para transportar cerca de 130 mil passageiros diariamente e absorver aproximadamente 50 mil usuários no pico da manhã.
Esses números são usados para dimensionar trens, intervalos, sistemas de energia e controle, além de orientar o desenho das plataformas e acessos. As estimativas de investimento indicam que a implantação da Linha 2 poderá exigir entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões, a depender das soluções de engenharia escolhidas em cada trecho, do tipo de estrutura adotada e da necessidade de intervenções complementares em vias e redes existentes. A execução das obras pode durar pelo menos uma década.
O Metrô-DF apresenta o empreendimento como parte da estratégia de consolidar um eixo de transporte sobre trilhos mais moderno e integrado, ampliando a cobertura para regiões que hoje contam com menor oferta de serviços metroviários e reforçando a conexão com o centro administrativo do Distrito Federal.