Por Isabel Dourado
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), deve se encontrar nesta quinta-feira (30) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir apoio do governo federal e a garantia do Tesouro Nacional para o empréstimo solicitado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com o objetivo de salvar o Banco de Brasília (BRB). Ao comentar sobre o pedido de audiência com o presidente Lula, Celina Leão classificou a situação como “uma questão institucional grave”.
Desde que assumiu o governo, Celina Leão não descartou totalmente a possibilidade de recorrer ao governo federal em busca de uma solução para o BRB, que foi prejudicado e teve um rombo financeiro devido à compra das controversas carteiras de crédito do banco Master, de Daniel Vorcaro. O GDF é acionista majoritário do BRB.
Questionada sobre a possibilidade de pedir ajuda, a governadora já havia feito críticas ao governo federal. Semanas após assumir o Palácio do Buriti, declarou não saber se haveria necessidade ou previsão do apoio da União ao BRB. Celina chegou a afirmar que a ausência de interferências já seria positiva.
Em outra entrevista à imprensa, disse ter a “impressão” de que a vontade do governo federal seria a de que o banco “quebrasse”. Apesar dessas declarações, Celina tem defendido o diálogo e a interlocução como saída. A governadora tem mantido um tom otimista e afirmado que aposta na credibilidade que construiu como política, apesar de nunca ter escondido ser governadora de direita. Neste momento, ela tenta inclusive afastar a questão ideológica para tratar com o presidente a questão do BRB.
Segundo Érico Oyama, analista político da BMJ Consultores Associados, a governadora tenta mostrar que está indo atrás de soluções, mesmo com diferenças ideológicas em relação ao governo federal. “Mesmo que não dependa da reunião, cria um argumento para usar nas redes e no período de campanha, quando provavelmente será muito atacada pelos oponentes. Pode sustentar que foi atrás de soluções, mesmo com diferenças ideológicas em relação ao governo federal. Isso ajuda a construir a imagem de uma política articulada, que resolve problemas para além do discurso ideológico, alguém com caráter resolutivo”.
Recusa
Nos bastidores, a sinalização do governo federal é de resistência a um eventual socorro ao BRB. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal, sinalizou que o pedido de garantia da União deve ser rejeitado devido à baixa “capacidade de pagamento” do Distrito Federal. O DF foi rebaixado para a nota C na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional, que é uma análise da situação fiscal dos entes que querem contrair novos empréstimos com garantia da União. Só tem acesso a esse tipo de crédito os entes com classificação Capag A ou B.
A governadora e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, também devem participar, nesta quinta-feira (30), de uma audiência com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no edifício-sede do BC, em Brasília.