Caixa negativo coloca o DF entre os piores do país na situação fiscal
Estudo da Universidade de Brasília aponta fragilidade estrutural nas contas públicas
O Distrito Federal entrou 2026 com um problema que não costuma aparecer nas peças de comunicação oficial: falta de fôlego fiscal. Um estudo do Observa-DF, da Universidade de Brasília, mostra que o DF terminou 2024 com o quarto pior caixa do país.
Isso significa que, ao comparar o dinheiro disponível com as contas já vencendo, o saldo fica negativo. É como uma família que recebe o salário, mas já tem mais boletos do que recursos para pagar. O governo chega ao fim do ano devendo mais do que consegue cobrir com o que tem em mãos.
Essa situação não é nova. Entre 2015 e 2018 (governo Rollemberg), o caixa ficou negativo de forma contínua. De 2019 a 2024 (Governo Ibaneis Rocha), houve momentos de melhora, especialmente em 2021 e 2023, mas sem uma trajetória consistente.
O estudo mostra que o problema não está no tamanho da dívida — que é baixa —, mas na incapacidade de gerar poupança e manter liquidez. O DF gasta praticamente tudo o que arrecada e não consegue formar reservas para enfrentar imprevistos.
Essa falta de margem deixa o orçamento vulnerável a qualquer choque. E, num cenário já apertado, a crise do Banco de Brasília adiciona um risco fiscal bilionário. O BRB enfrenta perdas relevantes e pode exigir uma capitalização pesada do governo.
O estudo da UnB resume o quadro: o DF não tem gordura para queimar. Qualquer abalo externo se transforma rapidamente em problema fiscal.

O paradoxo do FCDF: repasses recordes, mas o DF fecha o ano no vermelho
O Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) é uma das maiores transferências federais do país. Em 2025, foram 25,7 bilhões de reais, o equivalente a quase 40% de todo o orçamento distrital.
É um volume de recursos que, em tese, deveria garantir tranquilidade financeira. Mas o estudo do Observa-DF mostra que, mesmo com esse montante, o DF encerrou 2024 com caixa negativo. A contradição é apenas aparente.
O orçamento distrital é altamente rígido. A maior parte do dinheiro já tem destino obrigatório: segurança pública, saúde, educação, folha de pagamento e custeio da máquina. Essas despesas são permanentes e difíceis de reduzir.
Assim, mesmo quando a receita cresce, a folga não aparece, porque quase tudo já está comprometido. O estudo mostra que a composição da receita do DF mudou pouco ao longo dos anos. O problema não está na arrecadação, mas na falta de flexibilidade para ajustar gastos quando a economia desacelera.
O resultado é um paradoxo fiscal. O DF tem uma receita elevada e estável, mas não consegue transformar isso em liquidez. O dinheiro entra, mas não sobra. O FCDF garante funcionamento, mas não resolve a fragilidade estrutural: a incapacidade de gerar poupança e formar caixa.
Portanto, o DF é rico em receita, mas pobre em margem fiscal.
