Saída de Zeno Gonçalves abre espaço para Sandra Holanda, ligada a Michelle Bolsonaro
Mudança ocorre em meio à articulação para 2026 e pressão por gastos
A substituição de Zeno Gonçalves por Sandra Maria Santos Holanda no comando da Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal não foi recebida apenas como um ajuste técnico. A decisão da governadora Celina Leão (PP) reorganiza peças relevantes do tabuleiro político local e reforça a aproximação com um dos grupos mais influentes do PL no Distrito Federal.
A exoneração e a nomeação foram publicadas ontem em edição extra do “Diário Oficial do DF”, mas a movimentação vinha sendo discutida nos bastidores desde abril.
Segundo apurou “Brasilianas”, a mudança teve forte influência de Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher e pré-candidata ao Senado pelo DF. Sandra Holanda é considerada próxima da ex-primeira-dama, que tem ampliado sua atuação política no Distrito Federal e trabalha para consolidar alianças estratégicas para 2026.
A leitura predominante entre interlocutores do Palácio do Buriti é que a chegada de Sandra fortalece a ponte entre Celina e o PL, partido que pretende ter papel central na disputa pelo governo local. Michelle tem defendido publicamente a candidatura de Celina ao GDF, e a nomeação é vista como um gesto de reciprocidade e alinhamento.

A justificativa oficial e o discurso da “gestora técnica”
Publicamente, Celina Leão afirmou que a troca se deve à necessidade de maior controle sobre os gastos do transporte público. A governadora destacou que a despesa com o sistema tem crescido e que a pasta precisa de uma condução mais rígida na análise de contratos e tarifas.
Ela classificou Sandra como uma “gestora técnica”, com experiência em tarifa pública e capacidade para conduzir mudanças estruturais. O discurso busca reforçar que a nomeação não seria política, apesar da leitura predominante entre aliados e opositores.
Quem é Sandra Holanda
Engenheira mecânica formada pela UFPE, Sandra Holanda é servidora da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e tem trajetória consolidada no setor metroferroviário. Atuou como secretária nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Urbano no governo federal entre 2021 e 2023 (governo Bolsonaro), período em que coordenou projetos de mobilidade sustentável e participou de debates sobre financiamento do transporte público.
Além da experiência administrativa, é docente em cursos de pós-graduação e consultora em mobilidade urbana, com atuação em projetos de modernização de sistemas metroferroviários.
A cessão para assumir o cargo no DF foi publicada pela CBTU dias antes da nomeação.

O peso político da Semob
A Secretaria de Mobilidade é uma das pastas mais sensíveis do governo local. Além de responder por contratos bilionários com as empresas de ônibus (foram cerca de R$ 2,5 bilhões em 2025), concentra debates sobre tarifa, subsídios, expansão do metrô e planejamento urbano — temas que impactam diretamente o cotidiano da população.
Por isso, a troca no comando da Semob é vista como um movimento estratégico para 2026. O controle da pasta permite ao governo calibrar políticas de impacto social e fiscal, além de dialogar com setores empresariais e parlamentares que atuam na área.
Sandra assume com a missão de revisar despesas, avaliar contratos e propor ajustes no modelo de financiamento do transporte. A expectativa é que ela também participe das discussões sobre expansão do metrô, renovação de frota e integração tarifária.
Nos bastidores, aliados de Celina afirmam que a nova secretária terá papel relevante na construção do programa de governo para 2026, especialmente em temas ligados à mobilidade sustentável e reorganização do sistema.