Orçamento da construção subiu 184% em quatro anos
Saída de Ibaneis Rocha fragiliza promessa do museu
Entre 2020 e 2022, foram quatro certames e nove mudanças nas regras
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF apresente esclarecimentos sobre possíveis irregularidades na licitação do Museu Nacional da Bíblia.
O projeto, previsto para o Eixo Monumental, teve orçamento elevado de R$ 26 milhões em 2021 para R$ 74 milhões em 2025, um aumento de 184%. A representação apresentada por parlamentares aponta que o projeto vencedor foi desconsiderado, enquanto o segundo colocado recebeu preferência, com direito a ajustes no valor da proposta.
Também houve inclusão de um anfiteatro não previsto originalmente no edital, o que pode configurar direcionamento e violação da Lei de Licitações.
O TCDF avalia ainda se houve descumprimento de normas constitucionais sobre igualdade de condições entre concorrentes. O caso reacende o debate sobre transparência em contratações públicas e sobre a necessidade de rigor técnico em obras de grande porte.
A análise do tribunal deve definir se o processo será suspenso ou se seguirá com correções, decisão que pode impactar diretamente o cronograma da obra e a destinação de recursos previstos no orçamento do DF.
“Legado cultural” em xeque
Anunciado em 2019 pelo então governador Ibaneis Rocha, o Museu Nacional da Bíblia foi apresentado como símbolo cultural de Brasília e promessa de legado de sua gestão. A obra, prevista para o Eixo Monumental, enfrentou desde o início questionamentos de entidades de arquitetura e sucessivas alterações nos editais.
Entre 2020 e 2022, foram quatro certames e nove mudanças nas regras, sem resposta às críticas técnicas. Com a saída de Ibaneis do governo na semana passada, o projeto perde seu principal patrocinador político e passa a depender da disposição da nova gestão em mantê-lo como prioridade.
O impasse sobre custos e licitação amplia a incerteza sobre a viabilidade da obra, que corre o risco de se tornar mais um empreendimento interrompido no cenário cultural da capital. A indefinição também expõe a dificuldade de consolidar projetos de grande porte em Brasília, onde a pressão por investimentos em saúde, educação e mobilidade costuma reduzir espaço para iniciativas culturais de alto custo.