Sem novos concursados há 13 anos, metroviários aprovam paralisação contra o sucateamento e a sobrecarga nas estações
Promessa do sindicato ‘é de nenhum trem sair do pátio’
Os usuários do sistema de transporte sobre trilhos no Distrito Federal devem se preparar para uma paralisação total a partir da meia-noite de segunda-feira (30/03).
A decisão pela greve geral foi ratificada pelo Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô-DF) em assembleia realizada na última terça-feira, após a categoria rejeitar a ausência de propostas econômicas por parte do GDF e da Companhia do Metropolitano. Segundo a diretoria do sindicato, a determinação atual é de que “nenhum trem saia do pátio no primeiro dia da semana”.
O movimento é motivado pelo que os trabalhadores classificam como um cenário crítico de sucateamento e sobrecarga operacional. Entre as reivindicações centrais está a abertura imediata de concurso público, visto que o quadro de funcionários não recebe novos concursados há 13 anos.
Relatos do sindicato apontam que diversas estações operam hoje com apenas um empregado por turno, elevando os riscos à segurança e à saúde da categoria.
A pauta inclui ainda melhorias na infraestrutura e a definição do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2027. Uma nova reunião está marcada para domingo (29/03), onde serão definidos os detalhes operacionais e se haverá manutenção de serviços mínimos.
Até lá, o Sindmetrô-DF afirma manter-se aberto ao diálogo, condicionando a suspensão do movimento a uma proposta concreta do governo que enfrente o déficit de pessoal e a precariedade das condições de trabalho.
Distritais denunciam sucateamento e apoiam a greve
A crise no Metrô-DF ganhou forte eco na Câmara Legislativa (CLDF), onde parlamentares de oposição manifestaram apoio à greve geral convocada para segunda-feira (30/03). O deputado Fábio Felix (PSOL) denunciou as “precárias condições de operação” e criticou a ausência de propostas do GDF para evitar a paralisação.
O coro é reforçado por Max Maciel (PSOL), presidente da Comissão de Transporte, que aponta um “sucateamento proposital” do sistema com o intuito de viabilizar uma futura privatização.
Dados que embasam as queixas revelam uma redução severa no efetivo: de 1.300 servidores em 2018 para os atuais 1.100, gerando um quadro de exaustão e adoecimento. Enquanto a categoria clama por concursos, os deputados Gabriel Magno e Chico Vigilante, ambos do PT, questionam a prioridade dada à criação de cargos comissionados e novas diretorias em detrimento da manutenção e da valorização dos concursados.
Para os distritais, a falta de investimento público compromete diretamente a segurança e a qualidade do serviço ofertado.