Por Isabel Dourado
Centenas de pessoas participaram, neste domingo (22), da 9ª edição da CaminhaDown, no estacionamento 10 do Parque da Cidade, em Brasília. Mesmo com a chuva, o evento reuniu famílias e apoiadores em um ato coletivo por inclusão, respeito, visibilidade, direitos e políticas públicas para pessoas com Síndrome de Down. A caminhada faz parte do calendário oficial do Distrito Federal desde 2015 e é realizada em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, ampliando o debate sobre os direitos das pessoas com trissomia 21 (T21). A programação contou com atividades recreativas, música, pintura de rosto, aula de yoga, e foi encerrada com a marcha pelos direitos das pessoas com a síndrome.
A coordenadora e organizadora do evento, Melina Sales, é mãe da Zila, de 13 anos, e abraçou a luta pela inclusão depois do nascimento da filha. Segundo ela, antes de 2015, não existia um movimento amplo voltado à reivindicação dos direitos das pessoas com Síndrome de Down. Sales afirma que o evento é uma oportunidade para que as pessoas possam conhecer a Síndrome de Down e desmistificar os preconceitos e visões capacitistas.
“Para a gente, é celebração da existência da diversidade, porque quem não é visto não é lembrado. A gente existe, somos numerosos, temos famílias, amigos, pessoas que apoiam o movimento da pessoa com deficiência, com Síndrome de Down. Além de ser uma celebração da vida e da diversidade, é também um momento da gente reafirmar nossos direitos. Estamos firmes e fortes para dizer que a gente existe, que a gente tem direito, que a gente deve ser olhada pelo poder público e pelo governo. A prova disso é que, mesmo com chuva, o evento está lotado. O que há de mais semelhante na nossa sociedade e a própria diversidade. Cada um é de um jeito”, diz.
A CaminhaDown brasiliense é organizada por famílias voluntárias e tem o apoio institucional da Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência (APAE-DF), Associação DFDown, Cruz Vermelha, Instituto Ápice Down, Motiva 21, Movimento Down, Pedagogia Inclusiva Pelas Artes (Pipa), dentre outras associações.
Acesso à educação
Apesar de reconhecer os avanços nas políticas públicas voltadas às pessoas com Síndrome de Down, pais e responsáveis destacam que o acesso à educação plena e inclusiva ainda é um desafio que precisa ser superado no Distrito Federal. Segundo mães entrevistadas pela reportagem, a efetivação da educação inclusiva ainda esbarra em vários obstáculos, como a falta de monitores e a escassez de materiais adaptados. Eliseth de Oliveira, mãe do João Lucas, de 12 anos, que tem Síndrome de Down, é coordenadora do evento desde 2016. Ela reforça que o acesso à educação ainda é uma barreira para muitas famílias.
“Infelizmente, as políticas públicas que existem não chegam a todas as famílias. A escola existe, está lá, tem professores, mas não são bem remunerados; faltam monitores, e muitas crianças deixam de ir para as aulas por falta de monitores. Às vezes, são quatro monitores para uma escola inteira. A gente precisa que essas políticas públicas na educação sejam realmente executadas e alcancem todas as famílias.”