Tribunal de Contas aponta irregularidades e falta de estrutura no Inas
Beneficiários relatam atrasos e cobranças abusivas
Plano perde credibilidade
O GDF Saúde, plano de assistência dos servidores públicos do Distrito Federal, está no centro de uma crise que só ganhou atenção do governo após pressão do Tribunal de Contas do DF.
O TCDF instaurou investigação sobre o Inas, responsável pela gestão, depois de denúncias de atrasos em consultas, exames e cirurgias, além de cobranças consideradas abusivas.
O Ministério Público de Contas apontou deficiências graves: quadro de pessoal insuficiente, excesso de cargos comissionados e descumprimento de determinações anteriores do próprio tribunal.
Criado em 2020 como conquista histórica, o plano hoje é motivo de insegurança. Servidores relatam meses de espera por atendimento e sindicatos registram queixas diárias.
A apuração busca avaliar a sustentabilidade financeira do Inas e garantir transparência na gestão de recursos que deveriam assegurar atendimento digno.
O episódio revela não apenas falhas administrativas, mas também a demora do governo em agir: só após a intervenção do Tribunal de Contas do DF as medidas começaram a ser anunciadas.
GDF reage, mas sob pressão
A reação do governo à crise no GDF Saúde veio apenas depois da abertura de investigação pelo Tribunal de Contas do DF.
Pressionado pelo controle externo, o governador Ibaneis Rocha promoveu mudanças no Conselho de Administração do Inas e anunciou a substituição da empresa responsável pela auditoria das faturas da rede credenciada. Segundo ele, a contratada não cumpria suas funções, o que teria agravado os atrasos no atendimento.
O Inas, por sua vez, afirmou que não foi notificado oficialmente da representação, mas garantiu que tomará medidas cabíveis. Em nota, minimizou as alterações no conselho, tratando-as como substituições naturais.
Para os servidores, no entanto, a percepção é de que o governo demorou a agir e só tomou providências quando obrigado.
A crise expõe a fragilidade da gestão e a falta de prioridade dada a um plano que deveria representar segurança para milhares de famílias, mas que hoje simboliza descaso e improviso.