Por Isabel Dourado
Estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal fizeram parte de uma missão espacial brasileira que amplia a presença do país em órbita. Cerca de 30 alunos do ensino médio tiveram a oportunidade de participar do desenvolvimento de um satélite já lançado, que agora integra a constelação da Ideia Space, startup que surgiu na Universidade de Brasília (UnB) com o objetivo de transformar o ensino no Brasil, especialmente nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
A iniciativa integra o programa Desafio Espacial, voltado à formação científica e tecnológica de jovens da rede pública. A participação dos estudantes abrangeu todas as etapas do projeto, desde a concepção até o planejamento da operação orbital. Com o apoio institucional da Agência Espacial Brasileira (AEB), os alunos tiveram contato prático com áreas como engenharia, ciência de dados e sistemas espaciais, além de vivenciarem uma experiência inédita no ambiente escolar, evidenciando que a ciência vai muito além dos livros e da teoria.
Os participantes receberam bolsa de estudos no valor de R$ 400 mensais, durante um semestre letivo, para a realização do projeto, além de participarem de aulas sobre ciência espacial no Planetário de Brasília.
As alunas do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama, Stephany Santana de Araújo e Pâmela Cristine Rocha foram selecionadas para participar do projeto. Em entrevista ao Correio da Manhã, o diretor do CEMI, Lafaiete Formiga, comenta que o envolvimento das estudantes é motivo de orgulho e destaca como a educação de qualidade tem um papel fundamental nesse processo. “Fico muito honrado em acompanhar alunos da nossa escola sendo contemplados e participando desses projetos. É muito gratificante vê-los se destacando. A gente tem uma iniciação científica muito forte, já tivemos projetos de estudantes sendo reconhecidos em várias feiras.”
Premiação
O diretor relata que a ex-aluna do Cemi, Stephany Santana, foi premiada na 4ª edição do Prêmio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) de Ciência, Tecnologia e Inovação. O trabalho, desenvolvido com apoio do projeto Retina Space, fruto de uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, tem como propósito a proteção das terras indígenas do DF.
Para isso, eles criaram protótipos de nanossatélites equipados com sensores, GPS e painéis solares, que podem monitorar invasões e enviar informações em tempo real, fortalecendo o controle e a proteção dessas áreas.
A estudante Pâmela Rocha, 17 anos, conta que a participação no projeto foi fundamental para que ela descobrisse a carreira que quer seguir. “Quando eu fui contemplada fiquei muito feliz. Todas as aulas foram interessantes. O projeto foi muito importante porque eu vi que queria seguir na área de física. Eu quero ser física e o projeto me mostrou essa possibilidade.”