Por Isabel Dourado
Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) avança no combate à doença de Chagas, que afeta milhões de pessoas, com o desenvolvimento de uma vacina baseada em tecnologias inovadoras para prevenção e tratamento. A professora Izabela Marques Dourado Bastos, doutora na área de imunologia e pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas (IB/UnB) é a coordenadora da pesquisa.
O estudo tem o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio da chamada pública Bio Learning, vinculada ao edital FAPDF Learning (2023). O investimento é de aproximadamente R$ 1 milhão.
A doença de Chagas, ou tripanossomíase americana, é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, transmitida principalmente pelas fezes do inseto “barbeiro”. Embora sejam identificados como o principal vetor da doença de Chagas, os barbeiros não nascem naturalmente com o parasita: eles se infectam ao picar um animal ou pessoa que já tenha o Trypanosoma cruzi no organismo.
A transmissão da doença ocorre por meio das fezes do inseto, que são depositadas sobre a pele do indivíduo enquanto ele suga o sangue. A coceira causada favorece a entrada do protozoário. Há também outros mecanismos de contaminação: vertical ou congênita (quando a mãe infectada transmite a doença ao filho), acidentes laboratoriais e ingestão de alimentos contaminados.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença de Chagas se manifesta em duas formas: aguda e crônica. A fase aguda pode ser assintomática ou apresentar febre, mal-estar, inchaço em um dos olhos, fraqueza, dor de cabeça e dores no corpo. Nesse estágio, ainda há possibilidade de tratamento e cura. Na fase crônica, podem surgir problemas cardíacos (insuficiência cardíaca, arritmias) e digestivos (como megaesôfago e megacólon). Nessa etapa, devido ao longo tempo de evolução da doença, a infecção pode se tornar uma condição de risco de morte.
De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, no Distrito Federal, a mortalidade por doença de Chagas crônica (DCC) é a segunda maior do Brasil. Esse índice se mantém mesmo sem registros de transmissão vetorial autóctone, isto é, dentro da região endêmica. O fato pode ser explicado pelo movimento migratório no país e pela vinculação das taxas de mortalidade ao local de residência.
Vacina da UnB
A pesquisa da Universidade de Brasília busca desenvolver uma vacina capaz de “ensinar” o organismo a reconhecer e combater o parasita. O estudo utiliza duas tecnologias modernas: DNA e RNA mensageiro. De forma simplificada, essas tecnologias funcionam como instruções para o corpo. Elas orientam as células a produzir pequenas partes do parasita, o que permite que o sistema imunológico aprenda a identificá-lo e esteja preparado para combatê-lo no futuro.
De acordo com a professora que coordena a pesquisa, a escolha por trabalhar com duas abordagens (DNA e RNA) aumenta as chances de sucesso do estudo.