Censo 2022 revela que moradores de favelas e comunidades urbanas do Distrito Federal enfrentam carências em infraestrutura, apesar de destaque na presença de árvores
Desigualdade urbanística persiste
O DF apresenta um cenário de contrastes urbanísticos entre favelas, comunidades urbanas e demais áreas do território, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados na última semana.
A pesquisa, que analisou características do entorno dos domicílios, revela que aspectos como pavimentação, circulação de veículos, presença de calçadas, rampas para cadeirantes e arborização ainda são desafios para grande parte da população que vive em áreas vulneráveis.
Um dos pontos positivos destacados pelo levantamento é a arborização. No DF, 69,1% dos moradores de favelas e comunidades urbanas residem em vias com presença de árvores, índice que coloca o Distrito Federal como o segundo maior percentual da Região Centro-Oeste, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (76,9%). Fora dessas áreas, o percentual é ainda maior: 85,6% dos moradores vivem em vias arborizadas.
O destaque nacional vai para o Sol Nascente, em Ceilândia, que lidera o ranking das 20 maiores favelas (embora esta coluna discorde do conceito de favela aplicado ao Sol Nascente) e comunidades urbanas do Brasil em arborização: 70,7% dos moradores vivem em trechos de vias com árvores, número muito acima da média nacional dessas áreas, que é de apenas 28,4%.

Apesar do avanço na arborização, os dados mostram desigualdades marcantes. Apenas 47,8% dos moradores dessas áreas vivem em vias pavimentadas, contra 98,1% fora das favelas. A circulação de veículos pesados é possível em 88,9% das vias das comunidades urbanas, mas esse número é inferior ao registrado fora dessas áreas (97,6%).
Outros indicadores, como presença de calçadas (52,8% nas favelas, 96,3% fora delas) e rampas para cadeirantes (4,5% nas favelas, 32,5% fora), evidenciam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para garantir infraestrutura básica e acessibilidade.
A publicação reforça que o levantamento desses dados é fundamental para que as populações possam reivindicar melhorias urbanísticas e para o planejamento de políticas públicas mais focalizadas e eficazes.