Por Isabel Dourado
O Teste do Pezinho é feito a partir de gotas de sangue coletadas do calcanhar do recém-nascido, preferencialmente entre o 3° e 5° dia de vida. A região é escolhida por ser rica em circulação sanguínea, permitindo uma coleta simples e rápida para detectar doenças graves, metabólicas e genéticas. O teste que é considerado fundamental é realizado de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é rastrear doenças que não apresentam sintomas ao nascimento, garantindo o tratamento precoce e evitando sequelas, como deficiência intelectual.
Em entrevista ao Correio da Manhã, o médico e assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, Lourenço Evangelista, afirma que o teste contribui para a redução da mortalidade infantil. “O Teste do Pezinho é importante porque permite identificar algumas doenças antes mesmo que elas se manifestem clinicamente. Os bebês podem apresentar sinais laboratoriais que indiquem essa suspeita. Trata-se de um teste de triagem, um teste sensível, cujo objetivo é identificar essas doenças precocemente, antes que elas ocorram.”
O DF registrou aumento no número de recém-nascidos atendidos pela triagem neonatal em 2025 em relação ao ano anterior. No ano passado, foram realizados 39.891 testes. Em 2024 foram feitos 36.858, ou seja, um crescimento de mais de três mil exames, impulsionado pela maior adesão da rede privada ao serviço público e pela ampliação do rol de doenças rastreadas, que passou a incluir cerca de 62 condições, o que reforça o acesso ao Teste do Pezinho na rede pública de saúde.
Atualmente, o DF realiza o rastreamento de cerca de 62 doenças, o que o coloca entre as unidades da Federação com maior abrangência na triagem neonatal.
Segundo o médico Lourenço Evangelista, o que contribuiu para a alta na realização do Teste do Pezinho foi a incorporação do rastreamento de novas doenças, o que gerou uma maior demanda.
“Os pacientes da rede pública recebem o teste automaticamente, mas na rede privada não temos esse acesso direto, embora o direito seja garantido. Toda criança que nasce e está no DF pode realizar o teste nas Unidades Básicas de Saúde. Esse aumento também reflete a realidade da taxa de natalidade do Distrito Federal. Além disso, não são apenas os nascidos no DF que utilizam esse serviço, mas também a população do entorno, que faz uso dessa infraestrutura”, explica.
Coleta
Na maternidade, a coleta do sangue é realizada entre 36 e 72 horas de vida do recém-nascido. Evangelista explica que o Teste é indolor e simples, uma vez feita a coleta, o sangue é depositado em papel-filtro, que possui uma padronização específica para absorção adequada da amostra de sangue. “Fazemos o rastreio de 62 doenças com o Teste do Pezinho. A coleta precisa ser feita corretamente, de forma simples e eficaz, o que justifica o uso do papel-filtro. Todos os dados do recém-nascido são coletados, o papel-filtro é cadastrado, as informações são inseridas no sistema e seguem para análise laboratorial”, explica. Se houver alteração no exame, os responsáveis pele bebê são contactados pela unidade de saúde o mais a rápido possível.