Relatório do IPE-DF mostra que famílias do Lago Sul têm renda quase 20 vezes maior que as do SCIA e Sol Nascente/Pôr do Sol
O Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF) divulgou nesta segunda-feira (26) o Informe Distrital de Rendimentos, parte da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A 2024). O levantamento mostra que o rendimento domiciliar médio no DF urbano é de R$ 5.424,77, enquanto a renda per capita chega a R$ 3.168,94.
Embora os números indiquem um padrão de renda elevado em comparação com outras unidades da federação, o estudo revela grande disparidade interna. Regiões como Lago Sul e Lago Norte concentram rendimentos muito acima da média, enquanto áreas periféricas convivem com valores próximos ao salário mínimo.
Desigualdade regional
• Lago Sul: renda domiciliar média de R$ 29.802,04; per capita de R$ 15.780,19.
• Lago Norte: R$ 11.603,22 per capita.
• Plano Piloto: R$ 10.407,82 per capita.
• SCIA: R$ 815,85 por morador.
• Sol Nascente/Pôr do Sol: R$ 845,62 por morador.
• Fercal: R$ 959,90.
• Paranoá: R$ 1.059,70.
A diferença entre Lago Sul e SCIA, por exemplo, é de quase 20 vezes. Essa distância não é apenas estatística: ela reflete desigualdades históricas na ocupação urbana, no acesso a serviços públicos e na distribuição de oportunidades de trabalho.
Diferença de renda por ocupação
O estudo também evidencia como o tipo de vínculo empregatício influencia diretamente o padrão de vida:
• Setor público (incluindo militares): R$ 10.483,53.
• Setor privado: R$ 3.003,32.
• Empregadores: R$ 10.523,66.
• Empregados domésticos: R$ 1.615,73.
A predominância do setor público como motor da renda no DF confirma uma característica estrutural da capital: a dependência da máquina estatal para sustentar o nível de consumo e de desenvolvimento econômico.
Análise
O Distrito Federal apresenta uma das maiores rendas médias do país, mas também uma das maiores desigualdades internas. Essa contradição é explicada por fatores como:
• Concentração de empregos públicos e altos salários em áreas centrais e nobres.
• Expansão urbana desordenada, que empurrou populações de baixa renda para regiões periféricas com menor infraestrutura.
• Diferenças no acesso à educação e qualificação profissional, que limitam a mobilidade social em áreas mais pobres.
O desafio para políticas públicas é claro: como reduzir a distância entre regiões que vivem em abundância e aquelas que sobrevivem com rendas próximas ao mínimo. Programas de inclusão produtiva, investimentos em educação e infraestrutura, além de políticas de habitação e transporte, são apontados por especialistas como caminhos para enfrentar essa desigualdade.