A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, nesta terça-feira (3), o Projeto de Lei nº 2.175/2026, que permite o uso de bens públicos para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB) diante de prejuízos nos negócios com o Banco Master. Os deputados aprovaram, por 14 a 10, em primeiro turno, a votação do PL. A proposta começou a ser debatida por volta das 16h30 e se estendeu até o início da noite. Na segunda-feira (2), o presidente do BRB, Nelson de Souza, participou de uma reunião a portas fechadas com deputados distritais na Câmara Legislativa.
Parlamentares da oposição manifestaram contrariedade diante da pressão para a votação do projeto de lei. Segundo eles, há falta de transparência e de informações detalhadas do tamanho do déficit e sobre os critérios de precificação dos terrenos oferecidos como garantia. Além disso, reclamaram do curto prazo para analisar as emendas incluídas nesta terça-feira. O deputado Chico Vigilante (PT), que tem feito críticas contundentes ao projeto, reforçou a posição contrária à proposta. Os parlamentares apontaram diversas irregularidades e ilegalidades no projeto.
Já o deputado Roosevelt Vilela (PL), que votou a favor da aprovação do projeto, alertou que, se a proposta não fosse aprovada, correria o risco de liquidação do BRB. “A compra do Banco Master foi fraudulenta. Se a Câmara Legislativa não tomar uma atitude, um patrimônio importante, uma coluna importante da capital do país e o nosso orgulho, que é o BRB, vai ser entregue a particulares. O presidente Nelson deixou claro: se a Câmara Legislativa não votar esse projeto o Banco de Brasília será liquidado.” O parlamentar foi aplaudido por servidores do BRB que estavam presentes na CLDF acompanhando a votação.
Durante a palavra da deputada Paula Belmonte (PSDB), os servidores do BRB, que reivindicavam a aprovação do projeto, vaiaram e gritaram contra as palavras da parlamentar. “Ontem foi dada a palavra do governo, do presidente do BRB, que iam entregar o registro dos imóveis, a avaliação dos imóveis. Nós só temos o registro de três imóveis. Isso é um cheque em branco ou é outra coisa?”, perguntou.”Eu entendo, eu vou dizer para os senhores, no lugar dos senhores, eu gritava também, porque eu estou gritando junto, mas eu quero ser ouvida. Não vou me calar. Aqui não tem avaliação dos imóveis. Quem cometeu a fraude?”, perguntou a parlamentar.
Vice-presidente da CLDF, Ricardo Vale (PT) afirmou que o projeto não vai solucionar a crise do BRB. “Esse projeto que o governo apresentou é uma mentira e não vai resolver a situação do banco”, criticou. “O projeto serve para a especulação imobiliária desta cidade”, afirmou Gabriel Magno (PT).