Por Isabel Dourado
A população residente na área rural do Distrito Federal é estimada em 121.759 pessoas, sendo 51,9% do sexo masculino e 48,1% feminino, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio Ampliada (PDAD-A) 2024, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF). A PDAD foi criada com o propósito de fornecer dados atualizados e consistentes para o planejamento e execução de políticas públicas.
A pesquisa apontou a existência de 49.549 domicílios na área rural da capital com média de 2,46 moradores por domicílio. Em relação ao recorte racial, a maioria dos moradores da área rural se declararam pardos (57%), seguidos pela população branca (29,1%) e preta (11,6%).
De acordo com a pesquisa, quase 80% das residências rurais do DF possuem renda mensal de até dois salários mínimos. A renda domiciliar média é de R$ 2.954,70 e a renda domiciliar per capita é de R$ 1.708,50. A Diretora da Diretoria de Estatística e Pesquisas Socioeconômicas do IPEDF, Francisca Lucena, explica que, diferentemente da área urbana, a renda da população que vive na zona rural é significativamente mais baixa quando comparada à da área urbana.
“Cerca de 80% dos domicílios na área urbana têm renda de até dois salários mínimos. Isso é um rendimento médio abaixo do que observamos na área urbana. Quando olhamos para a área rural, a média de idade é de 32,6 anos. Então, é uma população majoritariamente masculina, jovem, negra, com baixa escolaridade, imigrante e com elevada taxa de ocupação”, explica.
Entre os trabalhadores ocupados, 43,7% trabalham na área rural e 53,4% são empregados no setor privado. Dos assalariados, 69,2% possuem Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e 63,2% contribuem para o INSS. A renda média do trabalho principal dos moradores da área rural é de R$ 2.654,70. Os trabalhadores por conta própria são 26,7% dos ocupados da área rural.
A pesquisa revelou que 35,8% da população possui ensino médio completo, 30,6% têm o fundamental incompleto e apenas 16,5% possuem ensino superior completo. “Entre os moradores da zona rural, o percentual de pessoas com ensino superior é bem reduzido quando comparado ao restante do Distrito Federal e às áreas urbanas”, diz Lucena.
Segundo a Diretora do IPEDF, o Distrito Federal enfrenta diversos desafios no desenvolvimento de políticas públicas voltadas para o avanço do nível de escolaridade da população que reside na área rural. Ela reforça que apenas com o aumento do nível educacional essa população terá acesso a empregos melhores e, consequentemente, a uma renda mais elevada.
“A função do Instituto do IPEDF é trazer essas informações, por meio de pesquisas, para que os responsáveis pelas políticas públicas possam implementar ações que mitiguem os problemas identificados, para superar essas barreiras. A gente sabe que, no Brasil, os estudos mostram que, ao aumentarmos o nível de escolarização a gente também conseguimos acessar empregos melhores e com remuneração maior.”