Por Isabel Dourado
Morreu, na manhã de sábado (7), o adolescente Rodrigo Fleury Castanheira, de 16 anos, agredido pelo ex-piloto Pedro Arthur Turra, de 19 anos, no dia 23 de janeiro em Vicente Pires (DF). O jovem ficou internado por 16 dias em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras. De acordo com a Polícia Civil, a confusão começou após uma discussão provocada por um chiclete, lançado em tom de brincadeira na direção de um amigo da vítima, que evoluiu para provocações e, depois, agressões físicas.
Durante a briga que foi gravada, Rodrigo foi golpeado com vários socos, caiu e bateu a cabeça contra a porta de um carro, sofrendo traumatismo craniano severo. Mesmo desacordado, o adolescente continuou sofrendo agressões. O jovem foi levado de carro ao hospital em estado gravíssimo. Rodrigo passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, após o rompimento de uma artéria. O adolescente ficou em coma induzido e durante a internação sofreu uma parada cardíaca.
O delegado Pablo Aguiar, responsável pela investigação, que chegou a se emocionar em coletiva de imprensa, também se manifestou nas redes sociais e pediu respeito aos familiares e amigos do jovem. O delegado frisou que a vida de Rodrigo foi interrompida de forma precoce e injusta e pediu reflexão para que a ausência do jovem lembre do valor da vida e do valor da empatia. “Mais do que um nome em um processo ou um caso investigado, ele foi uma pessoa com sonhos, afetos, histórias e um futuro que lhe foi tirado.”
Após a internação do jovem, a família e amigos realizaram duas vigílias de oração em prol da saúde de Rodrigo, na porta do Hospital Brasília. A última vigília foi feita na última sexta-feira (6). Em nota, o hospital Brasília confirmou o diagnóstico de morte encefálica e afirmou que “apesar de todos os esforços da equipe médica o quadro evoluiu para perda completa e irreversível das funções cerebrais”. O hospital se solidarizou com os familiares.
O colégio Vitória Régia, onde o jovem estudava, publicou um comunicado nas redes sociais lamentando a morte. “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do nosso querido aluno Rodrigo Castanheira, após confirmação de morte cerebral. Neste momento de luto, oramos para que Deus conforte o coração da família, dos amigos, colegas, professores e de toda a nossa comunidade escolar. Como escola cristã, cremos que, mesmo em meio à dor que nos dilacera, a vontade de Deus é soberana, ainda que não seja compatível com nosso desejo humano de tê-lo de volta conosco.” O colégio destacou que Rodrigo “deixa uma história, marcas de afeto e memórias que permanecem vivas entre nós.” O corpo do jovem foi velado e sepultado, ontem (8), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Após as agressões, Pedro Turra chegou a ser detido, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Diante de novas denúncias envolvendo Turra o Judiciário determinou uma nova ordem de prisão. Ele está preso desde segunda-feira (2) no Complexo Penitenciário da Papuda, no DF. O caso deve passar de ‘lesão corporal gravíssima’ para ‘homicídio culposo’.