Medida inclui Lago Paranoá e rios do DF
Peixe amazônico ameaça fauna fora da Amazônia
Doações poderão abastecer creches e hospitais
O Lago Paranoá, cartão-postal de Brasília, tornou-se símbolo de uma decisão nacional do Ibama: a liberação da pesca, captura e abate do pirarucu, peixe amazônico que pode ultrapassar dois metros de comprimento.
A Instrução Normativa nº 7, publicada no último dia 19 de março no Diário Oficial da União, reconhece o pirarucu como espécie exótica invasora fora da Bacia Amazônica e autoriza sua retirada em 11 regiões hidrográficas brasileiras, incluindo a do Paraná.
No Distrito Federal, a medida vale para o Paranoá e para rios como Descoberto, Corumbá, São Bartolomeu e São Marcos. Todo exemplar capturado deve ser abatido, sem possibilidade de devolução à água, e não há limite de quantidade ou peso.
Além disso, os peixes pescados poderão ser doados a hospitais, creches, programas de merenda escolar e instituições públicas de combate à fome, desde que na mesma unidade federativa onde foram capturados. A decisão, válida por três anos, busca controlar a espécie e evitar desequilíbrios ecológicos.
O Ibama reforça que a medida é preventiva e necessária para impedir que o pirarucu se espalhe em ambientes artificiais e comprometa a biodiversidade em diferentes regiões do país.

Pirarucu no lago preocupa Sema-DF
A Secretaria de Meio Ambiente do DF alerta que o pirarucu é nocivo quando encontrado fora da Amazônia. No Lago Paranoá, sua presença representa riscos como predação de espécies nativas, desequilíbrio ecológico pela ausência de predadores naturais e redução da biodiversidade.
Segundo a Sema-DF, o peixe chegou ao lago por introdução irregular e criminosa, seja por soltura indevida ou pelo rompimento de tanques e aquários particulares. A pasta já havia acionado o Governo do Acre e o Instituto Mamirauá para avaliar os impactos.
Registros impressionaram moradores: em 2021, um exemplar de 1,3 metro foi filmado; em 2024, outro de cerca de dois metros ganhou as redes; e em 2025, pescadores esportivos divulgaram imagens de um pirarucu quase do mesmo tamanho.
Para especialistas, o lago artificial urbano tem dinâmica ecológica distinta da várzea amazônica, o que amplia os riscos de desequilíbrio. Agora, com a decisão do Ibama, a expectativa é conter a proliferação e proteger o cerrado aquático.