Por Isabel Dourado
No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 11.937 casos suspeitos de meningite. Destes, 6.169 (51,7%)foram confirmados, e 781 pessoas foram a óbito pela doença. A meningite é considerada uma enfermidade grave e pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas. A doença causa inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
Segundo o Ministério da Saúde, apesar da oferta gratuita à população da maioria das vacinas que protegem contra as meningites, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS), a ocorrência das meningites bacterianas ainda é um fator de preocupação, especialmente as causadas pela Neisseria meningitidis e pelo Streptococcus pneumoniae.
Os sintomas da meningite incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca (dificuldade de encostar o queixo no peito), náuseas, vômitos e sensibilidade à luz (fotofobia), podendo evoluir para confusão mental, sonolência ou convulsões, e manchas vermelhas na pele na meningite meningocócica, exigindo atendimento médico imediato. Crianças, adolescentes e idosos são os mais vulneráveis.
Devido ao aumento e à gravidade da doença, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) tem reforçado a importância da imunização. Na capital, a cobertura ainda é considerada baixa. Segundo a especialista em imunização da Coordenação Técnica da Rede de Frios da Secretaria do DF, Ligiane Seles, a vacina é a principal forma de prevenção. “A meningite bacteriana é extremamente grave e pode evoluir rapidamente, deixar sequelas ou até mesmo levar a óbito, especialmente em crianças pequenas. Por isso, trabalhamos tanto a importância da vacinação, que é a principal forma de prevenção.”
Cobertura Vacinal
De acordo com Seles, embora o Distrito Federal tenha apresentado um cenário positivo na cobertura contra a meningite, a capital ainda não alcançou a meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Atualmente, o esquema vacinal inclui duas doses da vacina meningocócica C, aplicadas aos três e cinco meses, e um reforço aos doze meses. O reforço é feito com a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
“O último dado é de novembro de 2025 e mostra um resultado favorável em relação à proteção contra a meningite meningocócica, que é a principal meningite bacteriana, especialmente a do grupo C, que é a que mais circula e na qual ainda temos casos, inclusive óbitos. A cobertura alcançou 93,9%, um resultado bem próximo, mas ainda abaixo da nossa meta de cobertura vacinal, que é de 95%”, argumenta.
Em geral, a transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta da pessoa contaminada. Também ocorre a transmissão fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.
A especialista em imunização reforça que é essencial que os pais levem os bebês de 12 meses para completar o calendário de vacinas e assegurar a imunização completa. “Tivemos um aumento significativo, porém a nossa meta é de 95%.”