Evento atraiu 1,5 milhão de foliões e impulsionou turismo
Comparativo revela crescimento contínuo desde 2024
O Carnaval de 2026 confirmou-se como um dos principais motores da economia brasiliense. Segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a folia movimentou mais de R$ 320 milhões no Distrito Federal, superando os resultados de anos anteriores e consolidando a festa como um ativo cultural e econômico da capital. O crescimento contínuo evidencia que o Carnaval brasiliense deixou de ser apenas uma festa popular para se tornar um ativo estratégico de desenvolvimento econômico e cultural.
De acordo com o Governo do Distrito Federal, cerca de 1,5 milhão de pessoas participaram dos blocos e eventos carnavalescos, impulsionando setores como turismo, alimentação, hospedagem e comércio popular. Restaurantes, bares e ambulantes relataram crescimento expressivo nas vendas, enquanto hotéis registraram alta taxa de ocupação.
O impacto também foi medido pela sondagem pós-Carnaval realizada pelo Instituto Fecomércio-DF, que consultou 183 estabelecimentos. O levantamento mostrou que 75,4% dos lojistas tiveram aumento no faturamento em relação ao ano anterior. Entre eles, 41% registraram crescimento de até 10% nas vendas, enquanto 49% superaram essa marca, chegando a 20% de alta. Apenas 19,7% relataram estabilidade e 3,3% apontaram queda.

Comércio varejista cresceu 4,2%
Outro estudo, do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista-DF), reforça o bom desempenho. A entidade havia projetado expansão de 3,9% nas vendas, mas o resultado final foi ainda melhor: 4,2% de crescimento, acima da previsão e do desempenho de 2025 (3,7%). Segundo o presidente do sindicato, Sebastião Abritta, o aumento dos preços de combustíveis e passagens aéreas e rodoviárias reteve mais consumidores em Brasília, ampliando o consumo local. Em 2025, mais de 245 mil pessoas deixaram o DF durante o Carnaval; neste ano, foram pouco mais de 100 mil. “Isso contribuiu para que o comércio expandisse as vendas e o faturamento”, avaliou Abritta.
Antes da festa, 85,5% dos empresários estavam confiantes quanto aos estoques. Após o período, 87% confirmaram que conseguiram dar vazão e renovar produtos, enquanto 12% ficaram com mercadorias acima da demanda e apenas 1% registrou falta de itens. Para atrair clientes, 44,8% das empresas investiram em promoções especiais ou descontos progressivos, e 5% contrataram funcionários temporários — destes, 78% avaliam a possibilidade de efetivação após a folia.
Em relação ao funcionamento, 70,5% dos estabelecimentos mantiveram expediente habitual, 24,6% ampliaram o horário de atendimento e 4,9% reduziram as jornadas. Entre os desafios apontados antes do Carnaval estavam a inflação setorial (52%), a gestão de estoques diante da incerteza da demanda (22,5%), atrasos na entrega de mercadorias (15,4%) e dificuldade para contratar temporários qualificados (10,1%). Apesar disso, quase metade dos lojistas (47,6%) afirmou que esses fatores não impactaram negativamente as vendas.
Fecomércio-DF: “Já é uma grande festa”
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destacou que os números confirmam o potencial da festa: “O Carnaval do Distrito Federal vem demonstrando, ano após ano, um crescimento consistente e um enorme potencial para se consolidar entre as grandes festas populares realizadas nas capitais brasileiras. Os dados desta sondagem confirmam algo que já percebemos, com a festa movimentando a cidade, impulsionando o comércio, fortalecendo o setor de serviços e gerando oportunidades de renda e emprego.”
O comparativo com anos anteriores reforça a tendência de crescimento. Em 2025, o Carnaval havia movimentado cerca de R$ 320 milhões, já considerado recorde. Em 2024, o impacto foi menor, em torno de R$ 280 milhões, reflexo da retomada gradual após a pandemia.