Gratuidades no transporte do DF custaram mais de R$ 977 milhões em 2025
Passe Livre e ‘Vai de Graça’ ampliam impacto nos gastos do sistema de ônibus
Idosos desafiam planejamento
EXCLUSIVO – Na terceira reportagem da série sobre a decisão da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) dar transparência aos dados relativos aos custos operacionais do sistema de transporte público do DF, “Brasilianas” aborda as gratuidades.
Isso porque, além dos repasses às concessionárias, o portal “Mobilidade Transparente” detalha os gastos com gratuidades e benefícios sociais. Em 2025, o Passe Livre Estudantil (PLE) registrou 60,2 milhões de acessos, com custo superior a R$ 553,7 milhões.
O Passe Livre para Pessoas com Deficiência (PCD) teve 8,9 milhões de acessos, além de outros 10,2 milhões feitos por acompanhantes dos PCDs. Somados, os dois custos ultrapassaram R$ 177 milhões no ano passado.
Já o programa “Vai de Graça”, que assegura viagens gratuitas aos domingos e feriados – e que completou um ano no início deste mês-, contabilizou 26.882.012 (mais de 26 milhões) de embarques gratuitos, com impacto de R$ 246,3 milhões.
Do lado dos pagantes, o sistema registrou aproximadamente 114 milhões de embarques pagos com Cartão Mobilidade, outros 67,7 milhões via valetransporte e ainda mais 29,8 milhões de pessoas que pagaram diretamente ao sistema, somando mais de 211,5 milhões de viagens pagas em 2025.
Esse dado mostra que, embora as gratuidades tenham peso significativo, a maior parte dos embarques (65,5%) ainda é realizada por passageiros pagantes, o que reforça a necessidade de equilíbrio entre subsídios e arrecadação.
Dados sobre idosos têm distorção
Há uma distorção importante quando se observam os dados relativos ao transporte e acesso de idosos. Em 2025, o sistema registrou o embarque de 15,2 milhões de idosos, mas os dados não refletem a realidade.
Isso por conta da Lei Distrital 7.298, de 24 de julho de 2023, de autoria do deputado Chico Vigilante (PT), que instituiu a gratuidade no transporte público coletivo do DF (ônibus) para pessoas com 60 anos ou mais, além de garantir o embarque por qualquer porta e prioridade para idosos e pessoas com deficiência.
A norma entrou em vigor na data de sua publicação, em 25 de julho de 2023.
Por conta desta regra legal, os idosos não necessariamente utilizam-se de cartões de transporte, e, portanto, não passam nas catracas. Sem o devido registro, não há como saber quantos idosos estão usando aquela linha, ou aquele horário.
“Essa distorção é grave, não tanto por conta de eventuais gratuidades. Mas porque dificulta – e muito – o nosso planejamento”, afirma o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves. “Não temos como saber quantos idosos estão em determinado ônibus, nem quais são as linhas que mais são demandadas por eles. Além disso, muitas vezes os ônibus podem estar lotados, mas não sabemos disso”, complementa.
E um dado pode atrapalhar ainda mais essa análise. O envelhecimento populacional no Distrito Federal está ocorrendo em um ritmo acelerado, impulsionado pela maior longevidade e pela queda nas taxas de natalidade. Atualmente, o DF tem aproximadamente 200 mil pessoas com 60 anos ou mais – o que representa cerca de 16% da população total da capital.
Até 2030, estima-se que os idosos representem 18% da população, superando pela primeira vez o número de crianças (0 a 14 anos). A projeção do IPES-DF (antiga Codeplan) indica um aumento de 63,3% no número total de idosos no DF até o final desta década.
Em, breve, mais dados na Transparência
Segundo o subsecretário de Arrecadação, Gestão e Controle de Gratuidades da Semob-DF, José dos Santos Bahia Neto, em breve serão inseridos novos módulos no Portal Mobilidade Transparente, tais como os que indicam o que foi efetivamente pago às empresas – descontadas as multas por falhas, por exemplo.
Também serão inseridos dados como a idade da frota e ainda a efetividade do sistema, indicando quantas viagens foram previstas e quantas foram efetivamente realizadas pelas empresas, indicando ainda o grau de eficiência do transporte coletivo do DF.
Parte destes dados já estão disponíveis noutro sistema também lançado recentemente pela Semob-DF, o chamado “DF no Ponto”, que permite ao usuário verificar quais as linhas e os horários que passam em cada um dos pontos de ônibus da cidade. O APP do “DF no Ponto” já soma mais de 470 mil downloads, com cerca de 115 mil acessos por dia.