Patrocínios do BRB: milhões para Flamengo e F1; Orquestra Sinfônica perdeu 41% do apoio e Festival de Brasília só apareceu em 2025, com menos de meio milhão
Investimentos na Fórmula 1 cresceram 23% em relação ao ano anterior e BRB mantém vários contratos ligados à família Bortoleto

Os demonstrativos de patrocínios do Banco de Brasília (BRB) em 2024 e 2025 revelam uma contradição que não pode ser ignorada. Enquanto contratos milionários com clubes e modalidades de alcance nacional e internacional se repetem ano após ano, os investimentos em eventos e instituições da própria capital federal permanecem modestos e, em alguns casos, foram reduzidos.
O Flamengo manteve-se como maior beneficiário: R$ 18,7 milhões em 2024 e R$ 18,6 milhões em 2025 até setembro. Somando o basquete, o clube recebeu mais de R$ 20 milhões em 2024.

Os Bortoletos têm várias ligações com o BRB
A Fórmula 1 também foi privilegiada: entre o piloto Gabriel Bortoleto e a equipe Alpine Racing, o BRB desembolsou R$ 9,4 milhões em 2024. Em 2025, os aportes ao piloto explodiram para R$ 8,37 milhões em apenas três trimestres, enquanto a Alpine recebeu R$ 3,2 milhões.
Somados, os investimentos ligados à F1 já ultrapassam R$ 11,6 milhões em 2025 — e ainda falta o último trimestre, o que significa que os números finais serão ainda maiores.
Um detalhe curioso: a família de Gabriel Bortoleto tem forte ligação com o automobilismo nacional. Seu pai, Lincoln Oliveira, é CEO da Vicar Promoções Desportivas e controlador do Grupo Veloci, dono da Stock Car.
Ou seja, o BRB investiu simultaneamente em patrocínios ao piloto e em contratos milionários com a empresa dirigida por seu pai. Em 2024, a Vicar recebeu R$ 8,6 milhões; em 2025, já são R$ 5,6 milhões até setembro.
No DF, pouco investimento do BRB
No futebol feminino, o Real Futebol Clube, de Brasília, manteve regularidade: R$ 1,8 milhão em 2024 e R$ 1,87 milhão em 2025. Já na cultura, os cortes foram evidentes. A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, ícone cultural da cidade, teve seu apoio reduzido de R$ 707 mil em 2024 para apenas R$ 416 mil em 2025.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que não aparecia nos relatórios de 2024, surgiu em 2025 com R$ 471 mil.
Esses três exemplos — todos realizados exclusivamente em Brasília — reforçam a disparidade entre o discurso institucional de priorizar o Distrito Federal e a prática orçamentária. Enquanto contratos milionários com Flamengo e Fórmula 1 se repetem ano após ano, os aportes à cultura e ao esporte local permanecem simbólicos.
A fotografia dos gastos mostra um banco público que, em vez de consolidar sua imagem como agente de desenvolvimento regional, preferiu investir em visibilidade nacional e internacional, muitas vezes distante da realidade brasiliense.