BRB transformou-se num dos maiores financiadores de eventos esportivos e culturais do país (e fora do Brasil, também)
Durante a gestão do governador Ibaneis Rocha, os gastos com patrocínios cresceram 14 vezes
Banco de Brasília promete agora foco em gastos no DF
Do Flamengo à vela: veja os contratos milionários que o BRB mantinha
Após a crise deflagrada pelas operações com o Banco Master, que deixaram um rombo estimado em R$ 5 bilhões, o Banco de Brasíia (BRB) decidiu rever sua política de patrocínios e comunicação.
Os números oficiais mostram a dimensão da mudança: em 2024, o BRB contabilizou R$ 107,5 milhões em patrocínios e publicidade. Em 2025, até o terceiro trimestre, os gastos já somavam R$ 82,2 milhões, com previsão orçamentária de R$ 125,7 milhões para o ano.
Agora, o plano anual de comunicação para 2026 prevê “apenas” R$ 50 milhões em patrocínios — uma redução de mais de 60% em relação ao orçamento anterior.
A nova gestão, comandada por Nelson Antônio de Souza desde novembro de 2025, após o afastamento de Paulo Henrique Costa, afirma que a prioridade será o Distrito Federal. O discurso é de “economicidade, transparência e governança”, mas a prática revela uma tentativa de se afastar da imagem de banco que gastava cifras milionárias em contratos de visibilidade nacional e internacional.
O atacante Bruno Henrique com a camisa que leva a marca do BRB | Foto: Marcelo Zambrana/AFP
Vínculo com Flamengo pode virar empresa
Entre os exemplos que chamaram atenção nos últimos anos está o contrato com o Flamengo, avaliado em R$ 32 milhões anuais. O acordo, que deu origem ao cartão digital Nação BRB Fla, pode ser transformado em uma empresa à parte, fora da estrutura do banco, para tentar manter o vínculo com o clube sem comprometer o orçamento da instituição.
Outro caso emblemático foi o patrocínio ao Mubadala Brazil SailGP Team, equipe de barco à vela que disputa a liga internacional SailGP. O contrato previa R$ 26 milhões entre 2025 e 2027 — um investimento considerado fora de sintonia com o papel de um banco regional de desenvolvimento.

Gestão Ibaneis Rocha inflou os gastos com patrocínio
Esses não foram os únicos aportes vultosos. Durante a gestão do governador Ibaneis Rocha, os gastos com patrocínios cresceram 14 vezes, transformando o BRB em um dos maiores financiadores de eventos esportivos e culturais do país. A lista inclui desde grandes clubes de futebol até iniciativas culturais de menor alcance, sempre com cifras que, somadas, pressionaram o caixa da instituição.
O plano de 2026 também prevê cortes em publicidade e propaganda: R$ 29,3 milhões, contra R$ 44 milhões no ano anterior. Em contrapartida, aumentou-se o orçamento para promoções e relações públicas, que inclui eventos, passando de R$ 57,7 milhões para R$ 66,8 milhões. A estratégia parece ser reduzir contratos de patrocínio de alto custo e concentrar esforços em ações de impacto direto no Distrito Federal.
A decisão de enxugar os patrocínios é parte de um movimento maior: recuperar liquidez, recompor capital e limpar a imagem do banco. A nova diretoria já apresentou ao Banco Central um plano de capitalização que inclui aporte do governo do DF.
Nelson Souza insiste que o BRB não será privatizado nem federalizado, mas admite que o momento exige “um passo atrás” para que o banco volte a ser, antes de tudo, uma instituição regional de desenvolvimento.