Por Isabel Dourado
O advogado que representa a família do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, que morreu no último sábado (7), após ser espancado por Pedro Turra, alega que o soco dado pelo ex-piloto foi a causa da morte de Rodrigo. Ele rebate a hipótese de que o impacto contra a porta de um carro tenha contribuído para o óbito. De acordo com prontuário médico, ao qual a família teve acesso, os traumas que levaram à morte estão concentrados no lado do crânio atingido pelo agressor.
“Ressaltamos que todos os traumas e cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio de Rodrigo, local do soco, enquanto o soco desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal. Essa configuração sugere a necessidade de análise de outras possibilidades”, diz a nota oficial publicada pelo advogado Albert Halex.
De acordo com o advogado, as informações reforçam a necessidade de análise de outras possibilidades referente a causa da morte do adolescente. Halex afirmou que a equipe jurídica seguirá analisando todos os elementos do caso e que “novas atualizações serão divulgadas assim que evidências adicionais forem apuradas.” Inicialmente, foi informado que, no momento das agressões, Rodrigo teria batido a cabeça na porta de um veículo que estava aberto atrás dele.
Durante a briga que foi gravada, Pedro Turra desferiu uma série de socos contra o adolescente. Ele sofreu traumatismo craniano severo e foi levado ao hospital em estado crítico. Rodrigo passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, após o rompimento de uma artéria. O jovem ficou internado por 16 dias em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras, e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos. No sábado (7) o hospital Brasília confirmou o diagnóstico de morte encefálica e afirmou que “apesar de todos os esforços da equipe médica o quadro evoluiu para perda completa e irreversível das funções cerebrais.”
Comoção
Rodrigo Castanheira foi sepultado no último domingo (8), no cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, sob forte comoção e pedido de justiça pelos amigos e familiares. Após a morte do jovem, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) pediu a reclassificação do crime cometido por Pedro Turra, que inicialmente era investigado por lesão corporal gravíssima, para homicídio. De acordo com a Polícia Civil, o inquérito já foi concluído e enviado ao Ministério Público.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal julga nesta quinta-feira (12) um novo pedido de habeas corpus pedido pela defesa do ex-piloto. O agressor Pedro Turra está preso em cela individual, no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele havia sido preso em flagrante logo após o crime, mas respondia em liberdade após pagar fiança de R$ 24,3 mil. A prisão preventiva foi decretada após a coleta de depoimentos de outras vítimas que confirmaram o histórico de violência de Turra, com autorização judicial.