Levantamento do Observa-DF mostra persistência da desigualdade no acesso à comida — Dados mostram que Prato Cheio e Restaurantes Comunitários não alcançam a maior parte do público vulnerável
O Distrito Federal mantém um cenário de forte desigualdade no acesso à alimentação, apesar de registrar o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país. Novo levantamento do Observa-DF, projeto vinculado à Universidade de Brasília, mostra que 38,5% dos moradores do DF convivem com algum nível de insegurança alimentar.
O estudo indica que, entre 2021 e 2026, houve aumento da proporção de domicílios em situação de segurança alimentar, mas a insegurança grave permaneceu estável, sem redução estatisticamente relevante.
A pesquisa também evidencia diferenças marcadas entre grupos sociais: lares chefiados por mulheres, população negra e regiões administrativas de baixa e média-baixa renda concentram os maiores índices de restrição no acesso à comida.
Outro ponto destacado é o comportamento alimentar por faixa de renda. O consumo de ultraprocessados cresceu no período, impulsionado principalmente pelos grupos de maior renda, que também apresentam dietas mais diversificadas. O levantamento ouviu mil moradores e utilizou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, metodologia adotada nacionalmente para medir o acesso da população aos alimentos.

Programas sociais do DF têm baixa cobertura entre famílias em insegurança alimentar
As políticas públicas voltadas ao enfrentamento da insegurança alimentar no Distrito Federal seguem com alcance limitado, segundo dados do Observa-DF. O estudo aponta que apenas 22,1% das pessoas em situação de insegurança alimentar eram beneficiárias do Cartão Prato Cheio em 2026, proporção considerada baixa diante da demanda registrada nas regiões administrativas.
A pesquisa também mostra queda na frequência aos Restaurantes Comunitários, utilizados por 23,4% desse público, dez pontos percentuais abaixo do observado em 2021. Mesmo com a expansão da rede de unidades, o aumento da oferta não resultou em maior presença do público em vulnerabilidade.
Para os pesquisadores, os números sugerem que a ampliação física dos equipamentos não tem sido acompanhada por estratégias capazes de aproximar os serviços das famílias que mais necessitam. O relatório destaca ainda que a distância entre unidades, o custo do deslocamento e a falta de integração entre programas sociais podem contribuir para a baixa adesão.
Os dados reforçam a necessidade de revisão dos mecanismos de acesso e de monitoramento das políticas voltadas ao combate à fome no DF.
