Apesar das chuvas registradas nos últimos dias, DF entrará no período de seca
Por Isabel Dourado
O Distrito Federal registrou 54,5 milímetros de chuva apenas na primeira quinzena deste mês, volume que já coloca junho deste ano na liderança do ranking dos meses mais chuvosos da série histórica, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em contrapartida, o Instituto destaca que o mês de junho é historicamente caracterizado por baixos volumes de precipitação, sendo considerado um dos meses mais secos do ano. A média climatológica para o período é de apenas 3,3 milímetros.
O acumulado observado apenas nos dias 14 e 15, foi de 36,6 milímetros. Segundo o Inmet, o volume já seria suficiente para classificar esse período como o quarto mês de junho mais chuvoso da série histórica iniciada em 1962. Até então, o maior volume de precipitação registrado para o mês havia ocorrido em 1988, quando foram contabilizados 43,8 milímetros.
Chuva isolada
Nos próximos dias, em Brasília, permanece a possibilidade de chuva isolada. Dessa forma, o Inmet destaca que há possibilidade de que neste ano, o número de dias de chuva, em junho, iguale e ou ultrapasse o recorde registrado em 1977, de seis dias.
Para esta terça-feira (16), a temperatura mínima prevista para a capital é de 17°C e a máxima apresentará uma queda, com previsão de 25°C.
Entre quarta-feira (17) e domingo (21), o Inmet informa que o tempo deve ficar estável, com tendência de céu parcialmente nublado e ausência de chuva. As temperaturas permanecerão sem grandes alterações, com máximas em torno de 27°C e mínimas variando entre 15°C e 17°C.
Apesar das chuvas registradas nos últimos dias, o Distrito Federal deve entrar nas próximas semanas no período de seca. A partir desta sexta-feira (19), o tempo seco deve ganhar ainda mais força. A máxima prevista é de 30°C. Diante desse cenário de seca, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) reforça que crianças e idosos precisam de mais cuidado durante o período de estiagem.
Segundo a médica nefrologista do Hospital Sírio-Libanês, Flávia Gonçalves, a hidratação adequada é uma medida fundamental para a manutenção da saúde durante os meses mais quentes e secos, ajudando a prevenir quadros de desidratação e outras complicações associadas ao período de estiagem.
“Nessas condições, o organismo perde mais água por meio da transpiração e também pela respiração, já que o ar seco favorece a evaporação dos líquidos corporais. Muitas vezes essa perda acontece de forma gradual e silenciosa, fazendo com que a pessoa não perceba que está ficando desidratada até o surgimento dos primeiros sintomas. A hidratação adequada é essencial para o bom funcionamento dos rins”, explica a nefrologista.
Atenção
A médica nefrologista Flávia Gonçalves também ressalta que alguns grupos merecem atenção especial durante a seca, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e doença renal.
De acordo com ela, esses grupos apresentam maior risco de desenvolver complicações relacionadas à desidratação. “Entre os idosos, o cuidado deve ser ainda maior porque o mecanismo da sede costuma ficar menos eficiente com o envelhecimento, fazendo com que muitos não percebam a necessidade de ingerir líquidos mesmo quando o organismo já apresenta déficit hídrico.”
Gonçalves destaca ainda que criar o hábito de ingerir líquidos regularmente ao longo do dia é crucial para evitar problemas de saúde no período de estiagem.
“A hidratação deve ser encarada como uma medida preventiva de saúde, especialmente durante a seca. Manter uma ingestão adequada de líquidos ajuda a preservar o funcionamento dos rins, reduz o risco de desidratação e contribui para o equilíbrio de todo o organismo”, reforça ela.