Por Isabel Dourado
A obesidade tem crescido de forma alarmante nas últimas décadas e já é reconhecida como uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A obesidade é uma doença crônica, associada a múltiplos fatores genéticos, metabólicos, comportamentais e ambientais. A doença é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode desencadear uma série de complicações, como diabetes, esteatose hepática (gordura no fígado), hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, além de aumentar o risco de tromboses e embolias. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024, 62,6% dos brasileiros adultos estavam com excesso de peso e 25,7% com obesidade, considerando o índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30 Kg/m².
Comemorado nesta quarta-feira (4), o Dia Mundial da Obesidade chama atenção para a importância da conscientização e da prevenção da doença. O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Luiz Córdova, observa que a doença segue em ascensão no Brasil. “A maioria da sociedade ainda enxerga a obesidade como um estado de corpos grandes e corpulência. Obesidade é uma doença causada pelo acúmulo excessivo de gordura e não simplesmente ter muito peso. A obesidade não tem cura, só tem controle e está aumentando exponencialmente. Mais de 30% da população brasileira é portadora da doença.”
De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, 36,29% da população adulta brasileira está com algum nível da doença. No Distrito Federal, dados da Secretaria de Saúde revelam que, em 2024, dos cerca de 336 mil pacientes avaliados, 19,3% apresentavam obesidade grau I, o que corresponde a 64.832 pessoas. Outros 7,1% (23.850 pessoas) foram classificados com obesidade grau II, e 3,5% (11.757) com obesidade grau III. De acordo com a pasta, 100.439 pessoas foram identificadas com algum grau de obesidade.
Segundo Córdova, o consumo de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo contribuem de forma significativa no aumento da obesidade. “Cada vez mais, os hábitos de fast-food e comidas ultraprocessadas virou a rotina da maioria das pessoas. O Distrito Federal está tão ruim quanto outros estados. A nossa preocupação hoje é com educação alimentar: mudar o acesso da população para comer melhor, mas isso envolve políticas de Estado, políticas de governo e mais acesso de tratamentos da obesidade pelo SUS. Essa é a grande dificuldade que se repete em outros estados brasileiros”, aponta Córdova.
A chefe e responsável técnica pela Unidade de Cirurgia Bariátrica do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Ana Carolina Fernandes, explica que o DF conta com uma Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade, que acompanha pacientes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Quando o paciente não tem êxito nessa linha de cuidado ele é encaminhado para nós, para avaliação de cirurgia bariátrica. A cirurgia bariátrica sempre vai estar bem indicada, pode ser a primeira opção mas tentamos um tratamento clínico”, explica. Fernandes ressalta ainda a importância de ampliar o tratamento e reforça que, ao notar ganho de peso, o paciente deve buscar ajuda médica.