Por Isabel Dourado
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, participou nesta segunda-feira (2) de uma reunião com deputados distritais na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Segundo ele, se o projeto enviado pelo Governo do Distrito Federal não for aprovado, “do ponto de vista regulatório, o banco para de funcionar”. A reunião ocorreu a portas fechadas, mas parlamentares concederam entrevistas à imprensa. O deputado Chico Vigilante (PT) criticou o Projeto de Lei nº 2175/2026, que permite o uso de bens públicos para reforçar o caixa do BRB, argumentando que a proposta, na forma atual, não resolve os problemas do banco e precisa de debate mais aprofundado. Os deputados defenderam ainda que a reunião deveria ter sido a portas abertas para que a população do Distrito Federal pudesse ter acesso sobre a real situação do banco.
De acordo com o deputado Chico Vigilante, o presidente do BRB admitiu que a situação é grave. “Eu afirmei que não aceitaremos o projeto ‘Cheque em branco’ para enganar a nossa população e cobrir o rombo do banco. O projeto do jeito que está estruturado não resolve o problema do BRB então tem que se discutir com muito mais profundidade para encontrar uma solução definitiva e não vender fantasia para a população do Distrito Federal”, criticou.
A reunião que iniciou pela manhã se estendeu até o fim do dia, com um intervalo para o almoço. Parlamentares da oposição questionaram a falta de informações detalhadas sobre o projeto de lei e o rombo no Banco. A reunião também contou com a participação de diretores da instituição e representantes da Terracap, em um clima marcado por cobranças e esclarecimentos.
Líder da minoria, o deputado Gabriel Magno (PT), afirmou que ainda não há respostas sobre a dimensão do rombo, seu impacto e o esforço necessário que precisará ser feito para salvar o banco. Segundo ele, não foram fornecidos números nem documentos que esclareçam a situação do BRB. O deputado também criticou o fato de a reunião ter ocorrido a portas fechadas sem a participação da imprensa.
“O presidente não respondeu uma pergunta que para nós é central: qual o tamanho do rombo? Isso não foi respondido lá dentro. Nós perguntamos e questionamos porque o projeto de lei traz os R$6,6 bilhões como margem para poder pegar empréstimos, consignados ou no FGC. A resposta do presidente foi que 6,6 bilhões de reais eram para manter o banco em pé. Então, pela resposta da manhã insuficiente, sem números, sem documentos. Nos parece que os R$ 6,6 bilhões não resolvem hoje o problema do BRB mas é uma solução paliativa.
Parlamentares da oposição e da base têm apontado a situação como séria e grave. O deputado Fábio Félix (PSOL) classificou o projeto como abstrato e apontou uma série de irregularidades e ilegalidades. “A impressão que nós temos é que esses R$ 6 bilhões, neste momento, é o remédio, mas que o rombo é muito maior que este. Ele, presidente do BRB, disse que não há hoje defesa da privatização do banco nem federalização, e que o Banco Central tem trabalhado de forma colaborativa, que não há pressão por federalização nem estudos para o caminho da privatização. A ideia é trabalhar para que o banco possa se reorganizar e se recapitalizar.”