Portal Mobilidade Transparente: governo expõe dados inéditos do sistema de transporte
Ferramenta mostra receitas, despesas e perfil dos passageiros
Transporte urbano no DF custou mais de R$ 3 bilhões em 2025, sendo 74% subsidiados pelo GDF
EXCLUSIVO – No fim do ano passado, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a Lei nº 7.836, de autoria do deputado Max Maciel (PSOL), que obriga o Governo do Distrito Federal a divulgar em dados abertos as informações detalhadas sobre o Sistema de Transporte Público Coletivo.
A medida legislativa surgiu após décadas de críticas sobre a falta de transparência e por pressão de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público, que cobravam relatórios da Secretaria de Mobilidade (Semob) dados até então mantidos sob reserva.
Antes mesmo da vigência da lei, a Semob vinha se preparando para ofertar esses dados ao público. O secretário de Mobilidade, Zeno Gonçalves, estava buscando esta ferramenta havia mais de um ano – e a solução acabou sendo “caseira”.
Por iniciativa da Subsecretaria de Arrecadação, Gestão e Controle de Gratuidades – que controla justamente a gestão do caixa do transporte público -, um sistema de gestão interno da secretaria ganhou robustez e, ao mesmo tempo, buscou ser simples para que qualquer cidadão pudesse acessar as informações.
“Brasilianas” vem acompanhando, desde novembro do ano passado, essas tratativas e o sistema experimental. Durante o mês de janeiro (e até o Carnaval), o sistema ficou em testes. Agora está pronto.
Cumprindo a exigência legal, a Secretaria de Mobilidade apresenta agora o portal “Mobilidade Transparente”, que reúne informações inéditas sobre empresas operadoras, receitas e despesas, viagens realizadas e descumpridas, além de dados sobre frota, investimentos e perfil dos passageiros.
Ele está acessível no site da Semob, no endereço www.semob.df.gov.br, na aba “acesso rápido”. Para ter acesso aos dados não é necessário fazer login ou se identificar para conferir qualquer informação.
Custo detalhado, por operadora
O site funciona como um painel interativo, permitindo que qualquer cidadão acompanhe de perto o funcionamento do sistema e compreenda melhor os custos e desafios de um serviço que custou R$ 3.127.267.859,21 (mais de três bilhões e cento e vinte e sete milhões de reais) no ano passado, sendo que R$ 2.323.589.637,25 (mais de dois bilhões e trezentos e vinte e três milhões de reais) foram subsidiados pelo GDF – isso representa 74,3% do total.
“O sistema ‘Mobilidade Transparente’ foi criado para que todos os cidadãos possam consultar e conhecer, em detalhes, tudo o que envolve as tarifas do sistema público de transporte no DF”, afirmou à coluna o secretário Zeno Gonçalves.
No novo portal, o usuário pode obter dados de quantos passageiros cada linha transporta, o número de pessoas que usam o cartão Mobilidade, quantos acessos são realizados por meio da gratuidade e o valor da famosa tarifa técnica que é paga a cada empresa.
São diversas possibilidades e combinações a serem consultadas, usando cada uma das linhas (são 956 atualmente), as operadoras (são 19, sendo cinco as maiores), e filtrando por tarifas (são três) e a forma de acesso (são 13 categorias, como Cartão Mobilidade, Vale-Transporte, Passe Estudantil ou Idosos, por exemplo). Todos os dados podem ser analisados mês a mês, ou acumulado por ano, desde 2022.

Especialistas avaliam que a abertura dos dados representa um avanço importante para a democratização das informações e para o fortalecimento da cidadania. No entanto, alertam que a efetividade dependerá da atualização constante dos números e da capacidade da população e dos órgãos de fiscalização de utilizá-los para cobrar melhorias.
Com a lei – e agora, com o Portal Mobilidade -, o Distrito Federal dá um passo relevante rumo à transparência, permitindo que os cidadãos compreendam melhor os custos os desafios de um sistema que impacta diariamente a vida de milhares de brasilienses.