Plano Piloto concentra maior número de casos, mas Águas Claras desponta como nova área crítica
Número de furtos cresceu 49% em relação a 2024
Prejuízo estimado em R$ 717,8 mil revela mudança no perfil dos crimes, com foco em fios de cobre
O furto de cabos elétricos consolidou-se como um dos principais desafios enfrentados pela Neoenergia Brasília em 2025. A distribuidora registrou 1.108 ocorrências entre furtos efetivos e tentativas, o que equivale a uma média superior a três casos por dia. O impacto foi direto sobre a população: mais de 100 mil clientes tiveram o fornecimento de energia comprometido ao longo do ano, com interrupções, oscilações e até queima de equipamentos domésticos.
O Plano Piloto manteve-se como a região mais crítica, concentrando 602 registros, mas Águas Claras despontou como novo foco de atenção, com 120 casos. A análise da empresa mostra que, embora o número de furtos tenha crescido 49% em relação a 2024, o prejuízo financeiro foi menor — R$ 717,8 mil contra R$ 793,6 mil no ano anterior. Isso se explica pela mudança no perfil dos crimes: os criminosos têm priorizado fios de cobre, de menor valor unitário, mas de fácil revenda.
Segundo a Neoenergia, os furtos são praticados tanto por pessoas em situação de vulnerabilidade quanto por quadrilhas organizadas, que encomendam especificamente o material. O gerente Hudson Thiago alerta que cada ocorrência exige reparos complexos e demorados, comprometendo a qualidade da energia entregue aos consumidores.
A distribuidora reforça que o problema é de segurança pública e vem intensificando ações conjuntas com as autoridades policiais. Em 2024, operações integradas haviam conseguido reduzir em 14% os furtos efetivos, mas o crescimento em 2025 mostra que o desafio permanece. A empresa aposta em monitoramento e prevenção para conter os impactos e garantir a continuidade do fornecimento de energia no Distrito Federal.

Iluminação pública também tem dados alarmantes
No caso da iluminação pública, os números revelam a dimensão do problema. Somente em 2025, mais de 73 quilômetros de cabos foram furtados no Distrito Federal — extensão suficiente para ligar Planaltina à Água Quente. Em perspectiva, essa metragem equivale a mais de 663 campos de futebol enfileirados.
De acordo com o diretor de Manutenção da CEB IPes, Paulo Afonso, a iniciativa de reforçar a proteção da rede faz parte de um esforço permanente para resguardar a infraestrutura pública. “Estamos lidando com um tipo de crime que se torna cada vez mais organizado e ousado. As soldas nas janelas de inspeção são uma barreira para dificultar a ação dos criminosos”, afirmou.
O crime não se limita à subtração dos fios: há registros de vandalismo em luminárias para facilitar a ação criminosa. Em muitos casos, a destruição ocorre poucas horas após a reposição feita pela CEB, o que desafia a capacidade de resposta das equipes. A Asa Norte está entre as regiões mais afetadas, com ocorrências simultâneas que ampliam a gravidade da situação.
O cenário se repete em todo o país. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), mais de 100 toneladas de cabos foram roubadas no Brasil em 2024, gerando prejuízo estimado em R$ 26 milhões às distribuidoras. Os números evidenciam que o furto de cabos deixou de ser um problema localizado e passou a representar uma ameaça nacional à segurança e à continuidade dos serviços públicos essenciais.
