Por Isabel Dourado
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) iniciou a aplicação das novas doses do Palivizumabe em bebês com menos de um ano de idade (até 11 meses e 29 dias), nascidos com idade gestacional inferior a 29 semanas (até 28 semanas e 6 dias), que receberam o medicamento no ano passado e precisam dar continuidade ao esquema de doses. O Palivizumabe é um anticorpo monoclonal específico contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite e de outras infecções graves do trato respiratório em bebês e crianças pequenas. A aplicação será realizada em oito unidades da Secretaria de Saúde até o fim de julho, sem previsão de prorrogação.
A época de maior ocorrência dessas doenças é entre fevereiro e julho, chamada de “período de sazonalidade”. Por isso, a aplicação do anticorpo é feita de fevereiro a julho. A ação de 2026 é um reforço para crianças que já tomaram doses em 2025, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde (MS).
A médica Juliana Queiroz, referência técnica distrital (RTD) de pediatria da SES-DF, explica que o Palivizumabe é um medicamento fundamental contra o vírus sincicial respiratório e vem sendo aplicado no Brasil desde 2012. “É um medicamento de custo elevado, a ideia é proteger a criança durante a sazonalidade. O Palivizumabe é o próprio anticorpo que confere proteção por apenas 30 dias. Por isso, é necessário fazer cinco doses para ter a imunização completa. Após esses 30 dias, o nível de anticorpos vai diminuindo até zerar.”
Busca ativa
A rede pública está com 460 doses do Palivizumabe disponíveis, com frascos de 50 mg e 100 mg, que devem ser usados de acordo com o peso do bebê. As aplicações serão mensais até o fim do período de sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR), totalizando cinco doses do anticorpo, ou até a criança completar 11 meses e 29 dias.
Para tomar o medicamento, é necessário ter prescrição médica, constando o nome da criança e da mãe, data de nascimento, idade gestacional, peso ao nascer e o atual, descrição recente do quadro clínico e detalhes sobre eventuais comorbidades relacionadas à prematuridade.
Queiroz esclarece que, no Distrito Federal, foram identificadas 66 crianças que devem receber novas doses do anticorpo para completar a imunização. “Já estamos fazendo busca ativa dessas crianças, muitas são da região do entorno do DF. Estamos entrando em contato para que os pais tragam essas crianças para continuar essa profilaxia, porque elas ainda estão no grupo de risco.”
Substituição
Queiroz explica que a partir do ano que vem o Palivizumabe será substituído pelo anticorpo monoclonal Nirsevimabe. “Os prematuros que estão nascendo agora já vão receber o Nirsevimabe. A vantagem é que ele é dose única e protege a criança por cerca de seis meses. Já existem alguns estudos mostrando que essa proteção pode se estender até 1 ano. Além disso, o custo é bem menor do que o do Palivizumabe.”