Por Isabel Dourado
O Distrito Federal está na 8ª colocação das unidades federativas que mais consomem alimentos ultraprocessados. Os dados foram coletados pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), relativos aos anos de 2006 a 2024 e foram divulgados pelo Ministério da Saúde. Segundo o estudo, o percentual estimado de adultos (pessoas acima de 18 anos) no DF que consumiram cinco ou mais grupos de ultraprocessados no dia anterior ao levantamento foi de 27,5%, acima da média de 25,5% em todo o Brasil.
Kelva Aquino, nutricionista da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde (GVDANTPS/Divep) explica que o consumo dos ultraprocessados é um fator de risco para o aumento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, obesidade e câncer. “Essas são as doenças que hoje mais afetam a população do Distrito Federal. Com isso, a Secretaria de Saúde tem buscado sempre fazer a vigilância do consumo desses alimentos ultraprocessados juntamente com o Ministério da Saúde; anualmente, é feito um estudo para avaliar esse consumo.”
Os ultraprocessados são definidos como produtos comestíveis de formulação industrial, feitos principalmente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e aditivos.
Estão nesse rol biscoitos, balas e sorvetes em geral, cereais açucarados, refrigerantes, refrescos e sopas em pó, embutidos, produtos congelados prontos para aquecimento, misturas para bolo, macarrão instantâneo, tempero pronto, entre outros.
Guia alimentar
O Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, atualizado em 2025, foca no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, priorizando uma dieta de base vegetal e nutritiva. O Guia recomenda basear a dieta em alimentos frescos (frutas, legumes, verduras, carnes e tubérculos) e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados devido ao desequilíbrio nutricional e os impactos negativos na saúde.
A nutricionista afirma que é fundamental que as pessoas adotem essas orientações no dia a dia para diminuir o risco de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis.
“Temos buscado implementar ações preconizadas, principalmente, pelo Guia Alimentar da População Brasileira, material utilizado e aplicado pelo Ministério da Saúde no sentido de orientar sobre alimentação saudável. Então, a busca de alimentos in natura e o consumo de alimentos minimamente processados faz com que sejam gerados fatores de proteção. Essas orientações são feitas por profissionais de saúde, das unidades de saúde do Distrito Federal, e é primordial que a população busque fazer isso no seu dia a dia, para que consigamos reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis”, explica.