Por Isabel Dourado
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga se outros dois pacientes do hospital Anchieta, em Taguatinga, também podem ter sido vítimas do técnico de enfermagem acusado de provocar intencionalmente a morte de três pacientes que estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O ex-funcionário da unidade Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, é apontado como o principal executor dos crimes. Segundo investigações da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), da PCDF, ele teria administrado medicamentos em dosagens excessivas e sem indicação para uso endovenoso, diretamente na veia das vítimas, acarretando paradas cardíacas.
As técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, que também estão presas, são investigadas por suposta participação nos crimes e por acobertamento. As prisões foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro. O delegado Wisllei Salomão, Coordenador do CHPP da PCDF afirmou que Marcos chegou a negar o crime em um interrogatório e alegou que seguia apenas as orientações médicas, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram a ação. Os óbitos das três vítimas confirmadas ocorreram entre 17 de novembro e 1 de dezembro de 2025. As vítimas tinham idades e quadros clínicos diferentes, mas segundo as investigações, todos tiveram uma piora repentina no quadro pouco antes da morte. De acordo com a PCDF, Marcos trabalhava há cinco anos na área. Após abrir uma investigação interna, o hospital Anchieta demitiu os três técnicos.
Em nota ao Correio da Manhã, o hospital Anchieta disse que segue acompanhando os desdobramentos do caso e colaborando integral e irrestritamente com as autoridades. A nota também informa que o hospital ofereceu apoio psicológico aos parentes das vítimas. “As famílias das vítimas envolvidas no caso foram contatadas pessoalmente pela direção do hospital imediatamente após autorização da Polícia Civil do DF, com respeito, acolhimento e total transparência sobre os fatos. Neste contato, o hospital ofereceu apoio psicológico profissional, mantendo-se à disposição permanente das famílias, seguindo com este canal aberto para os familiares cadastrados”, informa a nota.
As novas denúncias partiram de familiares que afirmam ter reconhecido Marcos Vinícius em reportagens sobre o caso. Segundo eles, parentes que estavam internados no hospital Anchieta nos meses de agosto e setembro foram atendidos pelo técnico e morreram após paradas cardíacas súbitas.
A Polícia Civil informou em nota que as investigações seguem em andamento. Imagens das câmeras do hospital mostram Marcos Vinícius acessando o computador de um dos médicos para prescrever, sem autorização, os medicamentos que foram injetados nos pacientes.
São investigadas as mortes na UTI do hospital de Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; João Clemente Pereira, 63 anos; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos.