Por Isabel Dourado
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) ampliou ações contra a hanseníase. A doença infecciosa crônica é causada pelo Mycobacterium leprae. Dados divulgados pela pasta indicam que os casos da doença tiveram queda nos últimos três anos no DF. Foram registradas 113 ocorrências em 2024. O número é 28,5% menor que os 158 casos registrados em 2022.
O Distrito Federal registrou 1.018 notificações de hanseníase entre 2020 e 2024. De acordo com o Informativo Epidemiológico da Hanseníase, atualmente, o DF apresenta uma taxa de detecção de 3,53 casos para cada 100 mil habitantes, ou seja, um patamar de média endemicidade, segundo critérios técnicos. Os homens são os mais acometidos, representando 50% das novas notificações. A maior concentração de casos ocorre na faixa etária entre 50 anos e 59 anos.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a 2ª posição no mundo entre os países que registram casos novos de hanseníase. Em razão de sua elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública.
Os principais sintomas da doença são: aparecimento de manchas brancas, avermelhadas ou amarronzadas; alteração na sensibilidade térmica (ao calor ou ao frio) ou à dor; formigamento; áreas com diminuição dos pelos e da sensibilidade; e fisgadas. Os casos de hanseníase são diagnosticados por meio do exame físico geral, dermatológico e neurológico, para identificar lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.
O microbiologista e professor do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Flávio Guimarães da Fonseca, reforça que a doença é totalmente tratável. “A hanseníase é uma doença totalmente tratável e tudo começa com o diagnóstico. Quando a pessoa descobre que tem hanseníase e passa a ter essa consciência, ela consegue se tratar. E, a partir do momento em que inicia o tratamento, isso também reduz a transmissão, porque quem não sabe que tem a doença acaba sendo o principal foco de transmissão.”
A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo para o meio exterior, infectando outras pessoas suscetíveis, ou seja, com maior probabilidade de adoecer. A forma de eliminação do bacilo pelo doente são as vias aéreas superiores (por meio do espirro, tosse ou fala), e não pelos objetos utilizados pelo paciente.
A coordenadora do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, Leonice Alves Ferreira, destaca que a falta de informação sobre a doença acaba reforçando diversos estigmas.
Segundo ela, é fundamental ampliar as campanhas de conscientização sobre a hanseníase.
“Ainda existe muito estigma em relação à hanseníase e a gente ainda enfrenta muito preconceito e desconfiança, principalmente por falta de conhecimento, já que grande parte da população sabe pouco ou quase nada sobre a doença. Isso é algo com que a gente lida diariamente, junto com a Secretaria de Saúde e o Ministério da Saúde, sempre buscando informar e divulgar.”